Contas externas têm superávit histórico
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quinta-feira, 22 de julho de 2004
Renato Andrade e Adriana Fernandes<br> Agência Estado 
Brasília - O Brasil registrou em junho o maior superávit da história em suas transações correntes com o exterior. O balanço entre as exportações e importações, remessa de lucros, pagamento de juros e receitas e despesas com serviços, rendeu ao País um saldo positivo de US$ 2,058 bilhões. No semestre, o valor acumulado atingiu US$ 4,415 bilhões, o equivalente a 1,6% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro. ''A balança comercial tem peso significativo neste resultado'', destacou ontem o chefe do Departamento Econômico (Depec) do Banco Central, Altamir Lopes. O saldo do primeiro semestre de 2004 é maior do que o superávit registrado em todo o ano de 2003.
O desempenho das contas externas brasileiras em junho superou até mesmo as projeções do Banco Central. No mês passado, Lopes estimou que o superávit do período chegaria a US$ 1,8 bilhão. Analistas e investidores estrangeiros acompanham de perto o resultado das contas externas brasileiras, já que ele é um dos termômetros da dependência de capitais do País. Por isso, o superávit obtido foi motivo de comemoração dentro do governo.
''O resultado do primeiro semestre reduz, e muito, a vulnerabilidade externa do País'', comentou Lopes. Uma menor dependência de capitais dá maior segurança para que investidores apliquem seus recursos no País.
Nos últimos 12 meses, o Brasil acumulou um saldo positivo de US$ 7,9 bilhões em suas transações correntes (1,5% do PIB), o maior resultado registrado desde 1947, quando o Banco Central deu início à compilação destes dados. Para julho, o chefe do Depec estima um superávit de US$ 1,7 bilhão para as transações correntes. A continuar o bom desempenho da balança comercial, e dos demais itens da conta de transações com o exterior, o Banco Central poderá rever sua projeção para o resultado dessa conta ao final do ano. Até agora, o BC mantém a estimativa de que o País fechará 2004 com um superávit de US$ 2,5 bilhões. Mas as instituições financeiras e consultorias do País já projetam um saldo positivo de US$ 6 bilhões para o ano, conforme pesquisa semanal feita pelo próprio BC.
Os gastos com o pagamento de juros e as remessas de lucros e dividendos ao exterior mantiveram em junho praticamente o mesmo comportamento observado no ano passado. Foram gastos US$ 1,1 bilhão, no mês passado, para a quitação dos juros que incidem sobre a dívida externa brasileira, mesmo valor observado em junho de 2003. Pelo lado das remessas de lucros e dividendos, as empresas e instituições enviaram para sua matrizes no exterior US$ 370 milhões, ante US$ 382 milhões no mesmo período do ano passado.
Os dados parciais de julho mostram estabilidade nestas contas. Até ontem, US$ 247 milhões haviam sido remetidos do Brasil para o exterior a título de pagamento de lucros e dividendos. No caso dos juros, contabilizava-se uma saída líquida de US$ 937 milhões.
O bom resultado das transações correntes não se repetiu no caso da contabilização de empréstimos e investimentos financeiros. Em junho, essa conta amargou um déficit de US$ 2,4 bilhões. Mas o resultado não surpreendeu o BC, já que o saldo negativo refletiu basicamente o pagamento de algumas despesas de valor elevado previstas para o período. A maior despesa de junho foi a quitação de uma parcela de US$ 1,3 bilhão devida ao Fundo Monetário Internacional (FMI). No semestre, o déficit acumulado na conta financeira foi de US$ 1,7 bilhão.


