Brasília- As contas externas do País tiveram saldo positivo de US$ 178 milhões no mês passado, depois de computadas todas as transações comerciais e financeiras, incluindo os juros da dívida. É o que revela o relatório de maio, divulgado ontem pelo Banco Central (BC), ressalvando que mais uma vez o destaque foi a balança comercial, pois as exportações superaram as importações em US$ 3,451 bilhões no mês.
O volume de recursos é mais que suficiente para pagar os US$ 2,3 bilhões referentes a remessas líquidas de renda para o exterior, que aumentaram 35,4% em relação a maio de 2004, além dos gastos líquidos com serviços lá fora, no total de US$ 829 milhões.
O chefe do Departamento Econômico do BC, Altamir Lopes, ressaltou que o resultado foi muito bom, considerando-se que o saldo de contas correntes em abril foi negativo em US$ 509 milhões. Mas, no acumulado de janeiro a maio, o superávit soma US$ 10,063 bilhões contra apenas US$ 2,183 bilhões no mesmo período do ano passado.
Esse desempenho leva o BC a rever algumas de suas projeções para o ano, de acordo com Lopes. Caso, por exemplo, das transações correntes (comerciais e financeiras) que tiveram superávit de US$ 615 milhões em maio. O saldo deve aumentar para algo em torno de US$ 1 bilhão neste mês, conforme o economista do BC.
A autoridade monetária também reviu para cima sua projeção de exportações para este ano: de US$ 105 para US$ 108 bilhões, uma vez que as vendas externas ''vêm crescendo mais do que imaginávamos, num ritmo muito forte'', segundo Lopes. A expectativa, acrescentou, também é promissora com relação à entrada de investimentos estrangeiros diretos, que somaram US$ 711 milhões em maio e já acumulam US$ 850 milhões neste mês, com previsão de chegar a US$ 1,2 bilhão no fechamento de junho.
O total de investimentos estrangeiros diretos chega a US$ 7,238 bilhões de janeiro a maio, e o bom desempenho do momento leva o BC a reafirmar a previsão de US$ 16 bilhões até o final do ano.
Dívida externa - O relatório do BC mostra também que a dívida externa aumentou US$ 548 milhões no primeiro trimestre. A dívida somou US$ 201,922 bilhões em março contra US$ 201,374 bilhões em dezembro do ano passado.
A médio e longo prazos a dívida soma US$ 181,462 bilhões, dos quais US$ 114,9 bilhões são passivos do setor público não financeiro. O restante é de responsabilidade privada e dos bancos oficiais. Quanto aos compromissos de curto prazo, no valor de US$ 20,460 bilhões, apenas US$ 6 milhões se referem a obrigações do BC.
Houve redução de quase US$ 2 bilhões da dívida de médio e longo prazos, comparado a dezembro de 2004, por causa da valorização do real em relação ao dólar norte-americano no trimestre. Em contrapartida, o endividamento de curto prazo aumentou US$ 1,7 bilhão por conta da variação das obrigações dos bancos comerciais em moedas estrangeiras.
Emissões - Mesmo com a emissão de US$ 500 milhões em títulos, as reservas internacionais do país caíram US$ 882 milhões no mês passado. As principais causas foram o pagamento, em maio, de US$ 310 milhões para o Fundo Monetário Internacional (FMI), juros da dívida externa de US$ 177 milhões relativos a bônus e US$ 117 milhões com remuneração das reservas.
As chamadas reservas externas são feitas em dólar pelo Tesouro Nacional para cumprir os pagamentos do País no exterior - tanto de dívida externa, quanto de importação. No mês de abril, o Brasil tinha US$ 61,591 bilhões em reservas, que caíram para US$ 60,709 bilhões no mês passado. A captação de dólares no mês de maio foi feita pela emissão de US$ 500 milhões captados com o lançamento do bônus soberano Global-2019. Mas a entrada desse valor, não compensou as saídas.

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