Brasília - O aumento das exportações garantiu em julho mais um desempenho recorde nas contas externas, que fecharam com saldo positivo de US$ 1,8 bilhão. Esse foi o segundo melhor resultado desde 1947, quando o Banco Central (BC) iniciou a apuração desses dados, só perdendo para os US$ 2 bilhões registrados em junho.
Mesmo com o crescimento das importações, consequência da melhora no nível de atividade, os dólares obtidos com o aumento das vendas externas cobriram com folga os gastos com produtos importados e também as despesas do País com itens como viagens internacionais, juros sobre a dívida externa e remessas de lucros e dividendos. Com isso, no acumulado do ano as contas externas registram superávit de US$ 6,2 bilhões.
Houve também uma recuperação dos investimentos estrangeiros diretos, que somaram US$ 1,6 bilhão em julho, o melhor resultado para o mês desde o início da série histórica. Neste mês o BC já contabiliza o ingresso de US$ 550 milhões e a estimativa é encerrar agosto com entrada total de US$ 700 milhões. Para cumprir a projeção de fechar 2004 com investimentos da ordem de US$ 12 bilhões, o Brasil precisará registrar ingressos médios de US$ 1,4 bilhão nos próximos quatro meses.
A expectativa do BC é de novo superávit nas contas externas este mês, no montante de US$ 1,7 bilhão. Se esse dado for confirmado, o saldo positivo nas contas externas chegará a US$ 7,9 bilhões em oito meses. Esse valor é quase o dobro do superávit registrado em todo ano de 2003 e US$ 5,4 bilhões acima da projeção que o BC tinha de fechar 2004 superavitário em US$ 2,5 bilhões.
Apesar de o resultado ser avaliado como positivo, especialmente num momento em que o Brasil precisa manter um fluxo de dólares que garanta a manutenção da taxa de câmbio sobre controle para evitar pressões mais fortes sobre a inflação, o próprio BC reconhece que a tendência é de que o Brasil volte a registrar déficits nas transações com o exterior.
''Não esperamos que o País tenha superávits nas contas externas por longos anos. Do jeito que estamos, teremos superávit este ano e, possivelmente, em 2005 porque temos uma estrutura que nos permite isso'', avalia o chefe do Departamento Econômico do BC, Altamir Lopes. Segundo ele, o País ''não irá correr atrás de déficits'', mas a tendência ''natural'' é de que as importações cresçam num ritmo maior do que o das exportações, no médio prazo, contribuindo para resultados ligeiramente negativos.
De janeiro a julho, o crescimento das exportações foi de 34%, ante um incremento de 27% nas importações. Em agosto, porém, as importações subiram 39% e a elevação verificada nas exportações foi de 35%. ''O ritmo de expansão das importações já está elevado, mas as exportações também continuam crescendo fortemente'', afirma Lopes. O chefe do Depec ressaltou que os déficits esperados para as contas externas deverão ser cobertos com ingresso de investimento estrangeiro direto (IED). Depois de uma queda considerável - em maio o ingresso de IED foi de apenas US$ 200 milhões -, esses investimentos começam a retornar ao Brasil. Em junho, foram US$ 700 milhões e, no mês passado, US$ 1,6 bilhão. Ainda assim, o valor registrado no mês passado não conseguiu cobrir as despesas do País para quitar obrigações lá fora.

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