As contas externas do País apresentaram piora em março. As transações correntes (todas as operações de comércio e serviço que o Brasil realiza com o exterior) registraram um déficit de US$ 1,72 bilhão ante os US$ 924 milhões de fevereiro. Pesaram nas contas externas o aumento dos juros pagos pelo Brasil no exterior e, ainda, o pior desempenho da balança comercial. Com forte concentração em março, os juros pagos chegaram a US$ 1,35 bilhão no mês ante os US$ 759 milhões de fevereiro. Já o superávit da balança comercial encolheu de US$ 219 milhões para US$ 15 milhões.
Os dados de março foram divulgados ontem pelo Banco Central e indicam que o balanço de pagamentos, que além das transações correntes inclui a conta de capital, também foi deficitário em US$ 1,7 bilhão no mês. Isso porque o saldo dos capitais destinados ao Brasil foi positivo em US$ 25 milhões.
Considerando o período de doze meses, segundo explicou o chefe do Departamento Econômico (Depec) do Banco Central, Altamir Lopes, pode ser vista, no entanto, uma estabilidade no resultado das contas externas. As transações correntes saíram de um déficit correspondente a 4,68% do Produto Interno Bruto (PIB) até fevereiro para o déficit de 4,69% do PIB até março. Em valores absolutos, estes déficits correspondem a US$ 34,8 bilhões e US$ 34,1 bilhões.
Lopes destacou, entretanto, que os investimentos diretos obtidos no período foram mais que suficientes para financiar o déficit em transações correntes. Nos doze meses até março, o total destes investimentos foi de US$ 31,2 bilhões. Ou seja, o equivalente a 149,2% do déficit. ‘‘É um recorde histórico’’, comemorou o chefe do Depec, lembrando que no último trimestre do ano passado os investimentos diretos financiavam a parcela de 74 7% do déficit em transações correntes.
Ele garantiu, ainda, que a média mensal do ingresso destes recursos tem sido mantida em aproximadamente US$ 1,2 bilhão sem considerar o dinheiro destinado à privatização. No mês passado, os investimentos diretos totais chegaram a US$ 2 bilhões e, nos primeiros 23 dias destes mês, atingiram US$ 1,74 bilhão. No acordo fechado com o Fundo Monetário Internacional (FMI), o Brasil comprometeu-se a fechar o ano com o déficit de 3% do PIB nas transações correntes. Lopes prevê que os investimentos diretos, estimados em US$ 20 bilhões, serão suficientes para financiar estas contas.
De acordo com os números do Banco Central, começam a voltar ao País os recursos de curto prazo. Os investimentos em bolsas de valores, por exemplo, ficaram positivos em US$ 309 milhões em março e este mês seguem a mesma tendência pois, até ontem, o BC contabilizou o total de US$ 391 milhões nos ingressos desse dinheiro. ‘‘Começamos a ver uma tendência bem marcada de recuperação’’, afirmou.
Depois de cinco meses com saldo negativo, as operações de câmbio no segmento livre, ou seja, as contratações de exportação e importação e, ainda, as transações financeiras, também indicam recuperação este mês. Em março, estas operações apresentaram déficit de US$ 2,47 bilhões mas, em abril, segundo Lopes, há um saldo positivo de US$ 517 milhões até o dia 23. ‘‘Se até agora está positivo, a tendência é que o resultado se mantenha positivo até o final do mês’’, disse Lopes.
Março também registrou o aumento nos pedidos de autorização feitos por empresas do setor privado para a captação de US$ 1 bilhão no exterior por meio da colocação de títulos. Segundo Lopes, isso demonstra mais acesso das empresas ao mercado internacional. Em janeiro, as empresas não-financeiras encaminharam 21 pedidos, em fevereiro outros 16 e, no mês passado, mais 37.

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