Contas externas devem fechar acima do esperado
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 20 de dezembro de 2005
Folhapress 
Brasília - Graças ao desempenho da balança comercial, as contas externas do Brasil devem encerrar 2005 com um resultado maior do que o esperado inicialmente pelo governo. Entre janeiro e novembro, a conta de transações correntes - que inclui a compra e venda de bens e serviços com outros países - apresentou um saldo positivo de US$ 13,711 bilhões.
Esse resultado já supera a projeção que o Banco Central havia feito para o superávit esperado para todo o ano, que era de US$ 13,6 bilhões. Agora, o BC já fala em um saldo de US$ 15,4 bilhões - que deverá ser o melhor resultado desde 1947, quando o BC passou medir esse resultado.
''É um resultado bastante satisfatório'', diz o chefe do Departamento Econômico do BC, Altamir Lopes. Além da balança comercial, as transações correntes incluem a balança de serviços (gastos com viagens internacionais, despesas com juros e remessas de lucros ao exterior, entre outros) e transferências unilaterais (dinheiro enviado ao país por brasileiros que moram no exterior, e vice-versa).
Quando um país tem déficit em transações correntes, é preciso recorrer a empréstimos ou investimentos estrangeiros para que as contas fiquem equilibradas. No caso de países emergentes como o Brasil, porém, costuma ser normal a existência de saldos negativos nas contas externas.
Apesar do comportamento positivo da balança comercial, alguns itens da conta de transações correntes já apresentam números menos favoráveis. É o caso do envio de lucros e dividendos para o exterior. Entre janeiro e novembro, as remessas totalizaram US$ 10,439 bilhões, valor 62% maior do que em igual período de 2004. A expectativa é que esse valor suba para US$ 11,5 bilhões até o final deste mês.
Dívida - A dívida externa brasileira em setembro somava US$ 183,151 bilhões, US$ 8,2 bilhões abaixo da registrada em junho. Além disso, esse montante está pouco acima do nível do registrado em dezembro de 1966, quando a dívida era de US$ 179,9 bilhões. Os dados foram divulgados ontem pelo Banco Central.
No entanto, a partir da divulgação do resultado de dezembro deste ano, a dívida externa brasileira ficará abaixo desse patamar, já que neste mês será realizado o pagamento de US$ 15,5 bilhões ao Fundo Monetário Internacional (FMI).
Já as reservas do Banco Central somavam no mês passado US$ 64,277 bilhões, um aumento de US$ 4 bilhões em relação ao mês de outubro. Sem considerar os recursos que fazem parte do acordo com o FMI, as reservas somam US$ 50,823 bilhões.


