Contas do setor público voltam a registrar déficit
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segunda-feira, 26 de maio de 1997
Agência Estado 
BRASÍLIA - As contas do setor público como um todo (aí incluídos o governo federal, os governos estaduais e municipais e, ainda, as empresas estatais federais) voltaram a apresentar piora no último mês de março. A deterioração dos resultados interrompe um processo de melhora que vinha ocorrendo, nos três conceitos de déficit (primário, nominal e operacional) desde agosto do ano passado. O pior desempenho no mês foi das empresas estatais.
Embora os resultados do setor público, em março, tenham sofrido esta piora, o chefe do Departamento Econômico (Depec) do Banco Central, Altamir Lopes, ressalta que a dívida líquida do setor tem-se mantido estável. O total da dívida em março chegou a R$ 278,9 bilhões contra R$ 276,2 bilhões de fevereiro. Na relação com o PIB, a dívida passou de 34,4% para 34,2%. Esta dívida está estável desde o final de 96, quando era 32,5% do PIB, destacou Lopes.
Analisando o desempenho do mês, mas considerando o período de doze meses, o déficit operacional (inclui juros reais) saltou de 3,46% do PIB em fevereiro para 3,61% em março. No conceito primário (relação direta entre receitas e despesas), o setor público saiu de um superávit de 0,01% para um déficit de 0,35%, enquanto que no conceito nominal (considera juros nominais), o resultado negativo das contas públicas passou de 5,76% para 6,05% do PIB.
Lopes assegura que a piora, no prazo de 12 meses, foi provocada, principalmente, pela mudança de regra no recolhimento do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica. No ano passado, o ajuste foi feito em um mês, que foi março, enquanto este ano foi dividido em quatro parcelas mensais.


