Curitiba Prestações de compras de natal, IPVA do carro, IPTU, matrícula da escola dos filhos, compra de material e uniforme escolar. Sem dúvida, as contas de janeiro exigem uma verdadeira ginástica financeira no orçamento familiar. Mas, e quando o dinheiro não consegue cobrir tantos gastos, qual a melhor maneira de se virar? Atrasando as contas? Emprestando do banco? Entrando no cheque especial? Parcelando o cartão de crédito?
Os financistas são unânimes: tente negociar, pechinchar, renegociar, enfim, tente todas as formas, mas fuja das contas rotativas em cartão de crédito, dos dos empréstimos bancários e limite do cheque especial. ''Compra no cartão só vale a pena para pagar tudo de uma vez ou quando a própria loja já oferece o parcelamento. Pagar só o mínimo previsto na conta e deixar o restante para o outro mês é o pior negócio. Vira uma bola de neve'', adverte o economista Raul Pont. Os juros do cartão chegam a astronômicos 10% a 12% ao mês contra uma inflação estimada de cerca de 10% este ano.
Outra recomendação é não apelar para o empréstimo bancário, cujos juros variam entre 4 a 5% ao mês. Em último caso, entre as três alternativas acima, entrar no limite do cheque especial pode ser uma alternativa. Neste caso, de acordo com o economista Sandro Silva, do Departamento Intersindical de Estudos e Estatísticas Sócio-Econômicas do Paraná (Dieese/PR), a pessoa deve se informar sobre os juros praticados pelo seu banco.
A melhor opção, claro, é pagar a vista. Por isso, quem dispõe de algum tipo de aplicação deve sacar o dinheiro e fazer o pagamento imediato. ''As aplicações rendem muito pouco. Não há vantagem em deixar o dinheiro no banco e pagar as contas parceladamente, com juros'', diz o economista Juarez Pont, lembrando que apenas aplicações de clientes especiais, com valores altos, costumam ter rendimentos mais compensadores.
Como a maioria não tem este recurso extra, o segundo conselho é tentar pagar pelo menos parte das contas à vista. Silva dá uma dica: entre pagar o IPVA ou o IPTU à vista, prefira o IPVA, que prevê desconto de 15% para pagamento em parcela única até janeiro. Já o desconto do IPTU, na maioria das cidades, é de 10%. Os dois economistas lembram, no entanto, que às vezes o parcelamento pode ser uma boa opção. É o caso do IPTU, por exemplo, cujo parcelamento em dez vezes tem pouca vantagem sobre o deconto de 10% à vista.
No caso das compras de material e uniforme escolar, a regra é pesquisar preços e negociar. ''Se a loja oferecer o mesmo preço à vista ou a prazo é porque o preço à vista já vem com juros embutidos'', diz Pont. Por isso, ele recomenda que o consumidor negocie, forçando uma redução substancial do valor no pagamento à vista. ''Um desconto de 10% a 15% é uma opção extremamente interessante. Diria até que, com uma estimativa de 10% de inflação em 2003, qualquer desconto acima de 1% ao mês já é razoável'', aconselha.

mockup