Contas do governo têm 1º déficit do ano
Agência Estado
Pela primeira vez no ano as contas do governo central (Tesouro Nacional, Banco Central e Previdência Social) apresentaram saldo negativo, com um déficit de R$ 796 milhões em maio. O Tesouro, isoladamente, apresentou resultado negativo de R$ 87,9 milhões, enquanto a Previdência registrou déficit de R$ 650,7 milhões e o Banco Central, saldo negativo em R$ 57,3 milhões.
Já esperávamos déficit, em valor até maior, afirmou ontem o secretário do Tesouro Nacional, Eduardo Guimarães. Em maio, as receitas apresentaram crescimento de 8,2% em comparação com o mesmo mês do ano anterior. Em contrapartida, as despesas cresceram 11,1%, cerca de R$ 1,5 bilhão.
Para junho, afirmou o secretário, é aguardado superávit na casa dos bilhões. O bom resultado será obtido graças ao ingresso de receitas extraordinárias, principalmente parcela superior a R$ 2 bilhões em receitas de concessão da telefonia. Dessa forma, afirmou, o governo central cumprirá o superávit previsto para o segundo trimestre do ano no acordo brasileiro com o Fundo Monetário Internacional (FMI). Estamos dentro do programado, afirmou.
A divulgação do déficit nas contas do Tesouro causou nervosismo no mercado, o que levou o secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Amaury Bier, a tentar acalmar os ânimos. Não houve surpresas, afirmou. Guimarães se disse surpreso com a reação do mercado.
Bier explicou que o governo já esperava um déficit, pois sabia que as receitas estavam aquém do esperado. A frustração na arrecadação, explicou, foi provocada pela queda na inflação. O governo esperava uma taxa da ordem de 1,5%, mas houve, na verdade, deflação. A inflação menor acaba puxando a arrecadação para abaixo do estimado.
Comparando os dados de maio com igual mês em 98, o item que mais cresceu, entre as despesas do Tesouro, foram as transferências para Estados e municípios, que apresentaram crescimento de 17%, registrando R$ 2,960 bilhões. A elevação na arrecadação de tributos como o Imposto de Renda e o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) faz crescer os repasses dos Fundos de Participação dos Estados (FPE) e municípios (FPM).
Além disso, contribuiu para o mau desempenho das contas do governo central o aumento no déficit nas contas da Previdência Social. Em maio, ele chegou a R$ 650,7 bilhões, contra R$ 169,7 milhões em maio do ano passado. Foi um aumento de 283%.
No acumulado do ano, as receitas atingiram R$ 81,946 bilhões, contra R$ 75,931 bilhões em 98 (aumento de 7,9%), enquanto as despesas ficaram em R$ 72,969 bilhões, contra R$ 71,909 bilhões em 98 (aumento de 1,4%). Na comparação com abril, as receitas ficaram 10,7% menores e as despesas aumentaram 10,1%.
Os gastos com custeio e investimento da máquina federal chegaram a R$ 3,542 bilhões em maio, apenas 1,8% maior do que no ano passado. No entanto, na comparação com abril de 99, o crescimento chega a 40,3%. Isso faz parte da administração do dia-a-dia do caixa do Tesouro, afirmou o secretário.
Em maio, as despesas com pessoal e encargos do governo ficaram em R$ 3,685 bilhões, registrando até ligeira queda com relação a abril. No entanto, houve crescimento nos gastos com abono e seguro-desemprego, cuja conta chegou a R$ 483,1 milhões, contra R$ 251,4 milhões no mês anterior - crescimento de 92,1%.Tesouro, BC e Previdência apresentaram saldo negativo de R$ 796 milhões. Receitas cresceram 8,2%, contra 11,1% das despesas
Arquivo FolhaCaixa sob controleO secretário do Tesouro, Eduardo Guimarães, diz que o governo já esperava déficit nas contas de maio. Para junho, afirmou, é esperado um superávit na casa dos bilhões





