Contagem regressiva para a Black Friday
Ofertas já começam a aparecer nas lojas físicas e on-line; especialistas recomendam cautela para não sair no prejuízo
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 26 de novembro de 2019
Ofertas já começam a aparecer nas lojas físicas e on-line; especialistas recomendam cautela para não sair no prejuízo
Mie Francine Chiba - Grupo Folha 
Desde o início do mês, tanto as lojas físicas quanto on-line já começaram a fazer promoções em alusão à Black Friday, que esse ano vai cair no dia 29, próxima sexta-feira. Segundo a Compre & Confie, empresa de inteligência de mercado focada em e-commerce, a data deve gerar aumento de 19% nas compras virtuais, com faturamento de R$ 3,5 bilhões pelas lojas on-line.

No varejo físico, a percepção é que a cada ano mais lojistas estão aderindo à data, diz Fernando Moraes, presidente da Acil (Associação Comercial e Industrial de Londrina).
Na sexta-feira (29), o comércio de rua vai funcionar com horário estendido, até 21h, para receber o Papai Noel, e por isso a Associação espera um movimento ainda mais intenso nessa Black Friday. A chegada do bom velhinho está prevista para as 19 horas, na Praça da Bandeira (em frente à Catedral), onde ficará até o dia 24 a Casa do Papai Noel. A ação é realizada pela própria Acil.
Para completar, sábado, dia 30, é a data limite do pagamento da primeira parcela do 13º salário. “Esperamos um movimento bastante grande sexta e no sábado, quando o comércio fica aberto até às 18 horas”, afirma Moraes. A expectativa da Associação Comercial é que as vendas desse período do ano sejam maiores que no ano passado.
Conforme levantamento da SBVC (Sociedade Brasileira de Varejo e Consumo), 89% dos brasileiros declaram que vão gastar mais nessa Black Friday, um aumento de 21% em relação ao ano passado. A intenção de gasto médio é de R$ 1.333,88
Pé no freio
Especialistas, no entanto, alertam para a compra por impulso. Muitos brasileiros vão aproveitar a primeira parcela do 13º para ir às compras nessa Black Friday, mas o planejador financeiro João Botosso lembra que os endividados, especialmente aqueles com dívidas em atraso, devem dar prioridade aos seus débitos. “Grande parte dos brasileiros tem dívida hoje. E outra parte tem dívida em atraso. Para a pessoa que está nesse cenário, sugiro não comprar nada nesse momento. Pagar a dívida à vista com o 13º e esquecer o consumo por enquanto.”
O consumidor que está com todas as suas contas em dia deve, ainda assim, perguntar a si mesmo por que está fazendo aquela compra. Caso seja um bom motivo – trocar uma TV porque a antiga está gerando gastos com manutenção, por exemplo -, o ideal é fazer a compra à vista. “A ideia é adquirir um bem que a pessoa esteja precisando, mas sem aumentar o seu endividamento”, explica Botosso.
Como a Black Friday já tem uma data marcada, o planejador também orienta fazer pesquisa de preços pelo menos um mês antes para saber se o desconto realmente vale a pena.
CONSUMIDOR DEVE EXIGIR CUMPRIMENTO DA OFERTA
Um dos problemas mais frequentes durante a Black Friday são as ofertas enganosas. O advogado Jossan Batistute, sócio do escritório Batistute Advogados, orienta o consumidor a tirar “prints” da tela onde aparece a oferta para se certificar de que ela será cumprida.
Além disso, deve-se sempre observar se o valor mostrado na oferta permanece nas páginas seguintes durante o processo de compra, para assegurar que o valor que está sendo pago é o mesmo que foi apresentado ao consumidor.
Detalhes como prazo de entrega também devem ser observadas a fim de evitar descumprimento de oferta. O consumidor deve ainda se assegurar que na compra não estão sendo embutidas taxas como seguros ou garantias estendidas, se estas não forem desejadas.
Lembrando que, para compras pela internet, o consumidor temo direito de devolver o produto em caso de arrependimento. O prazo para isso é de sete dias corridos. Já no caso de lojas físicas, a possibilidade de troca ou devolução fica a critério do estabelecimento.
Caso se sinta prejudicado, o consumidor pode procurar a empresa para tentar resolver seu problema. Se não tiver sucesso, pode ir aos sites de reclamação para tornar o seu caso público, comunicar o Procon e o Ministério Público do Consumidor e ainda procurar agências reguladoras responsáveis, como a Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) em caso de problemas com a compra de passagens aéreas.


