A Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag) avalia que os recursos destinados pelo governo à agricultura familiar no Plano de Safra anunciado semana passada não serão suficientes para atender boa parte dos 4 milhões de pequenos produtores rurais do País. ‘‘Apesar do esforço do governo de aumentar os recursos do Pronaf de R$ 1,6 bilhão para R$ 2,3 bilhões, a agricultura familiar continua atrás da chamada agricultura comercial’’, disse na ocasião o secretário de Política Agrícola da Contag, Alberto Broch, referindo-se ao total de US$ 11 bilhões anunciados para o custeio e investimento total da próxima safra.
Segundo Broch, os pequenos agricultores respondem por mais de metade da produção de alimentos no País e poderiam ficar com uma parcela maior dos recursos do crédito rural. ‘‘É inegável que tivemos avanços em relação ao ano passado, mas o plano está muito distante de amenizar os problemas no campo’’, avaliou.
Além disso, ressaltou, o mais importante é que o plano do governo aconteça na prática. ‘‘O banco sempre acha que o agricultor familiar não paga e dificulta a liberação de recursos’’, observa.
O secretário disse que a Contag espera que o governo se empenhe politicamente para a liberação dos financiamentos de custeio e investimento aos pequenos produtores, pois, do contrário, poderão ocorrer muitas mobilizações. ‘‘Ou os agricultores fazem isso ou vão embora da terra’’, resumiu.
Broch destacou os avanços do novo Plano de Safra, como a criação da linha Pronaf Especial para Investimento com empréstimos entre R$ 1.500 e R$ 3.000 e subvenção de R$ 700.
Apesar da redução nas taxas de juros dos financiamentos ao pequeno agricultor - de 6,5% para 5,75% -, a Contag considera que o índice ainda é alto, pois havia reivindicado índice zero para todas as linhas.

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