Contag ameaça ocupar agências do BB
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segunda-feira, 23 de outubro de 2000
Chico Araújo Agência Estado 
A Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag) deflaga hoje, em todo o País, com a ocupação de agências bancárias e bloqueio de estradas, uma ofensiva contra o governo para exigir a liberação de recursos para a agricultura familiar. Em maio, o governo prometeu destinar R$ 4,2 bilhões aos agricultores, mas segundo a Contag, até agora só foram tornados disponíveis R$ 2,8 bilhões. Em Brasília, a entidade ameaça ocupar a sede do Banco do Brasil, com cerca de mil agricultores.
A onda da manifestações, inicialmente programada para até o dia 26, foi anunciada ontem pelo presidente da Contag, Manoel dos Santos. Vamos aos bancos buscar o dinheiro prometido, disse Santos. A idéia dos manifestantes é permanecer nas agências até o governo liberar os recursos na sua totalidade. Santos afirma que, além de não repassar o dinheiro prometido, o governo também não teria cumprido as promessas relativas ao Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), anunciadas em maio, durante o Grito da Terra Brasil.
De acordo com Santos, as negociações entre o governo e a Contag são apenas virtuais porque, segundo ele, os pontos acordados nunca são cumpridos. Por enquanto, o que há é só marketing da parte do governo, diz Santos, ao explicar que o Ministério do Desenvolvimento Agrário anunciou, recentemente, ter colocado à disposição dos agricultores R$ 4,03 bilhões, mas um levantamento feito pela assessoria de Política Agrícola da Contag demonstra que existem apenas R$ 2,8 bilhões, 31% a menos que o anunciado.
Na semana passada, o ministro do Desenvolvovimento Agrário, Raul Jungmann, garantiu que o acordo firmado com a Contag e os demais movimentos sociais, entre eles o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), vem sendo cumprido. Jungmann chegou a anunciar várias medidas adotadas, como a prorrogação de prazo para renegociação das dívidas dos agricultores, a liberação de R$ 31 milhões para a assistência técnica e a ampliação em R$ 51 milhões dos recursos para as linhas A e C do Pronaf, destinados às famílias egressas da reforma agrária. Nada disso é novidade, garante Santos. Segundo ele, esses pontos já haviam sido negociados.
Bancos A Contag reclama que os bancos não vêm atendendo as determinações do governo em relação ao acordo firmado. Santos dá como exemplo o fato de o Banco do Brasil, que movimenta a maior parte dos recursos da agricultura familiar, não ter aplicado, segundo levantamentos feitos pela Contag, R$ 300 milhões da exigibilidade no financiamento dos agricultores. Ele também revela que só existem cerca de R$ 200 milhões dos fundos constitucionais para o setor. Nas negociações com a Contag, o governo prometeu disponibilizar R$ 700 milhões desses fundos para a agricultura, lembrou.
Os bancos é que fazem o que querem e não liberam o dinheiro, reclama Santos. Ele explica que a ocupação das agências bancárias, programadas a partir de hoje em todos os Estados, servirá para pressionar o governo e os bancos, onde os agricultores têm problema. Essa é a saída que nos restou, reconhece o dirigente da Contag.


