Contadores viram tema de debate na UEL
Alguém já disse que o Brasil seria bem melhor hoje, com bem menos denúncias de corrupção, se passasse por auditorias freqüentes. Na posse do novo presidente da Associação Comercial e Industrial de Londrina, Marcelo Cassa, na terça-feira, os dois religiosos convidados para abençoar a nova gestão foram incisivos em cobrar ética e correção dos empresários e políticos presentes.
Nas últimas semanas dois contadores estiveram envolvidos em situações constrangedoras para a categoria. O presidente da Câmara de Vereadores de Londrina, Sidney Souza, foi afastado de suas funções pelo juiz Mauro Ticianeli, a pedido do Ministério Público que apura pagamento de propina para aprovação de projetos na Câmara. No começo da semana, Souza reassumiu o cargo, através de uma liminar concedida pelo Tribunal de Justiça.
Dias atrás o controlador da Câmara, José de Paula, confirmou ao Ministério Público que repassava parte de seu salário - R$ 2 mil - para o ex-presidente da Casa, o ex-vereador Orlando Bonilha que o havia nomeado para o cargo.
Estas situações provocaram um debate sobre ética entre os alunos da disciplina de Ética, do terceiro ano do curso de Ciências Contábeis da Universidade Estadual de Londrina, na quarta-feira.
O professor de contabilidade Claudenir Tarifa Lembi, que coordenou o debate, lembrou aos alunos o juramento dos contadores: Cumprir a lei e fazer cumprir a lei.
O contador tem um papel fundamental não só nas empresas privadas, mas também na administração pública. Uma das alunas da sala deixou claro o que muitos empresários pensam dos contadores: Eles tratam os contadores como tratam os políticos. Acham que sempre é possível dar um jeitinho.
São tantos escândalos todos os dias divulgados pelos meios de comunicação que a sociedade acaba achando tudo tão normal... As pessoas se acostumam. Ficam achando que quem faz as coisas corretamente, dentro da lei, é trouxa. Para mudar isso é preciso mobilização. Lembra quando o ex-prefeito Belinati foi acusado? As pessoas se mobilizaram e o mandato dele foi cassado, lembrou outra aluna.
Segundo a professora de contabilidade Maria Aparecida Scarpin, que também participou da discussão, outro problema é que há uma sensação de impunidade. As pessoas não estão sendo punidas quando são denunciadas ou flagradas. E isto provoca certa acomodação. É preciso fiscalizar e denunciar sempre. E a Justiça precisa ser mais rápida, reforçou a professora. Maria Scarpin disse ainda que é necessário sempre estar atento e cobrar postura ética dos políticos, seja enviando emails para seus gabinetes, cartas, cobrando por telefonemas ou pessoalmente
De quem é a culpa? Pelo entendimento dos alunos todos têm parcela sua parcela de culpa, seja pela acomodação, por não fiscalizar ou por não dar exemplos. A gente sabe o que tem que ser feito, precisamos fazer a nossa parte e ela começa pelas pequenas ações como, por exemplo, não aceitar dar propina para o guarda para liberá-lo da multa. Desta forma, criamos uma cultura de correção e ética, disse um dos alunos de contabilidade.
Para Lembi os contadores estão entre os profissionais em que as pessoas mais confiam. Não se constrói uma sociedade sem superar desafios. Nós contadores conquistamos o respeito das empresas, dos órgãos governamentais, mas precisamos sempre evoluir. E a melhor forma de continuarmos crescendo enquanto profissionais é não admitir, não aceitar qualquer situação que esteja fora do que está na lei. É necessário cumprir a lei e fazer cumprir lei, disse Lembi.
Fonte: Sindicato das Empresas de Consultoria, Assessoria, Perícias e Contabilidade de Londrina - Sescap-Ldr





