São Paulo - A Confederação Nacional dos Trabalhadores na Indústria da Alimentação e Assalariados Rurais (Contac), ligada à Central Única dos Trabalhadores (CUT), defende a intervenção do governo federal na Parmalat Brasil. Segundo o presidente da entidade, Siderlei Silva de Oliveira, esta seria uma solução para evitar o risco de desativação das fábricas da Parmalat no país.
Na semana passada, a planta de Jundiaí - responsável pela fabricação de sucos, chás e biscoitos - chegou a ficar parada por falta de matéria-prima. A empresa nega que a interrupção da produção tenha sido provocada por este motivo. Mas admite a dificuldade para negociar os débitos com os fornecedores.
''Existes vários credores entrando com pedido de falência contra a Parmalat. Outros estão deixando de fornecer matérias-primas. Tudo isto coloca em risco a operação do complexo industrial instalado pela Parmalat no país'', disse Silva de Oliveira.
Para o sindicalista, os pedidos de falência e o risco de interrupção das operações da empresa ameaçam os empregos de 6 mil pessoas distribuídas nas oito plantas industriais da Parmalat. ''A indústria de embalagem já está cortando o fornecimento para a Parmalat'', afirmou Silva de Oliveira.
A Contac defende a nomeação de uma equipe de trabalho -designada pelo governo federal- para assumir a direção da Parmalat no Brasil. Somente sob estas condições, a Parmalat poderia receber um socorro financeiro do governo para se manter em operação. ''O dinheiro não poderia ir parar nas mãos da mesma direção que deixou a empresa chegar onde chegou'', disse ele referindo-se à crise financeira que atinge o grupo em todo o mundo.
Segundo Silva de Oliveira, o dinheiro do governo seria usado para a criação de um fundo garantidor de débitos aos fornecedores da Parmalat. ''Os fornecedores não querem mais entregar matéria-prima, pois temem ficar sem receber. Um fundo deste tipo serviria como garantia de pagamento aos fornecedores.''
Para tentar descobrir qual é a verdadeira situação contábil da Parmalat no país, a Contac se reúne hoje com dirigentes da empresa.

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