Contabilistas viram personal manager
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sábado, 19 de novembro de 2005
Da Redação 
O excesso de burocracia instituído no Brasil está transformando os escritórios de contabilidade de todo o país em meros prestadores de serviços para o governo. ''São tantas mudanças na lei, decretos, emendas, medidas provisórias que os empresários da contabilidade não fazem outra coisa a não ser passar o tempo todo tentando fazer seus clientes cumprirem as novas normas que surgem a todo momento'', reclama o presidente do Sindicato das Empresas de Consultoria, Assessoria, Perícias e Contabilidade de Londrina (Sescap), José Joaquim Ribeiro.
Segundo ele, os contadores estão se transformando em verdadeiros ''personal manager'' para seus clientes. ''Contabilista que não procura se atualizar diariamente está fora do mercado'', afirma Ribeiro. Na opinião do presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), Benedicto Fonseca Moreira, o excesso de burocracia, por si só, representa, na prática, um pesado tributo.
''A burocracia no Brasil é histórica e decorre da base cultural. Não obstante, a passividade dos Governos, do Poder Legislativo e da sociedade diante dessa realidade, é permissiva. O mais grave é aceitar a burocracia como fato normal e inerente ao poder público'', argumenta Moreira.
Segundo ele, a burocracia brasileira alcança níveis escandalosos, à medida que inibe o crescimento econômico, neutraliza e distorce o esforço para melhorar o social, marginaliza a educação, violenta a justiça, tornando-a não instrumento da dignidade, da democracia e do social, mas privilégio de poucos.
''Sem contar que onera o cidadão e corrói a poupança; gera desemprego; alimenta os demagogos e os corruptos; induz ao descaminho; impede o crescimento da exportação e favorece a importação em detrimento do emprego, etc. Concebida para regular e organizar as atividades sociais, a burocracia é hoje um mastodonte caro e ineficiente que atrapalha o desenvolvimento do país'', enfatiza o presidente da AEB.
De acordo com Ribeiro, a burocracia, teoricamente, serviria para reduzir as possibilidades de sonegação fiscal, mas não é o que os jornais mostram todos os dias. ''As alterações na lei são tantas que nem o governo se entende. Como há uma infinidade de normas nem o fisco se entende. É comum os fiscais não conseguirem responder aos questionamentos das empresas. Outra consequência é que muitas empresas se aproveitam para promover incontáveis debates jurídicos ingressando com ações e mais ações nas esferas judiciais em busca de seus direitos'', afirma ele.
Além disso, analisa Ribeiro, a burocracia aumenta o custo da empresa de contabilidade porque é preciso investir em tecnologia para acompanhar a evolução do Fisco, em treinamento para atualizar os funcionários e em comunicação para informar os clientes. Só o pacote de exigências da Receita Federal soma 23 nomenclaturas.
Para ele, todos esses procedimentos geram custo.''E o pior é que os empresários, como pagam uma carga extenuante de impostos e, nos últimos anos, estão trabalhando com uma margem mínima de lucro, não aceitam um reajuste nos honorários dos escritórios de contabilidade que são obrigados a absorver sozinhos os novos custos''.


