Contabilistas temem desemprego
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sexta-feira, 19 de agosto de 2005
Reportagem Local 
O estudo feito pela Serasa que mostra um aumento de 30% no número de falências decretadas em julho em relação ao mesmo período do ano passado, publicado na edição da Folha, na quinta-feira, é apenas uma pequena amostra do que está acontecendo na economia brasileira. Nos últimos meses o mercado tem se retraído e, com a crise política, a tendência é que a situação piore.
Segundo o Sindicato das Empresas de Consultoria, Assessoria, Perícias e Contabilidade de Londrina (Sescap-LD), além das empresas que encerraram as atividades oficialmente e que estão nos registros do governo, há um número incalculável de outras que estão inativas, mas que não conseguem dar baixa por estarem em débito com o fisco. Isto está preocupando o Sindicato que vê nesta situação o prenúncio de uma onda de desemprego.
''Toda empresa precisa de um contador. Reduzindo-se o número de empresas, é óbvio que haverá desemprego no segmento da contabilidade'', afirma José Joaquim Ribeiro, presidente do sindicato. Segundo ele, no Brasil trabalham 179 mil contadores e 194 mil técnicos contábeis. ''É uma massa imensa de profissionais que deve ser afetada pela crise na economia'', diz.
Conforme o estudo do Serasa, no mês passado foram decretadas 347 falências e foram pedidas outras 776. ''Apenas no meu escritório estão 70 empresas à espera da baixa'', comenta Ribeiro. Segundo ele, são firmas que não conseguiram dar prosseguimento à atividade, em alguns casos até devendo para fornecedores ou o fisco.
De acordo com ele, o problema é que se não for efetivada a baixa, a empresa continua sendo obrigada a apresentar a declaração de Imposto de Renda, os sócios também são obrigados a entregar suas declarações, e é preciso continuar renovando o alvará de licença provocando, além de outros custos normais da burocracia. Caso não faça isso corre o risco de pagar multas pesadas.
O empresário Lindomar dos Santos também está preocupado. Segundo ele, no seu escritório perto de 40 empresas estão inativas esperando a baixa. ''Isso é uma realidade que pode ser verificada em praticamente todos os escritórios de Londrina'', afirma.
Para José Ribeiro, dois fatores estão segurando a economia e provocando receio nos contadores: o primeiro é a excessiva carga que impede que as empresas reinvistam no negócio e a outra é a enorme informalidade que ocorre no país. ''Com a carga tributária tão alta, não há empresário que consiga ter lucro suficiente para investir, isso sem contar com a taxa de juros mantida na estratosfera pelo Banco Central. Para piorar, alguém já viu empresário informal ter contador?'', questiona.
Lindomar dos Santos afirma que os escritórios estão sendo obrigados a oferecer outros serviços para não perder a clientela. Segundo ele, hoje o empresário da contabilidade está se transformando num consultor de empresas, ajudando na gestão do negócio de seus contratantes. ''Todos os anos centenas de novos contabilistas ingressam no mercado e as empresas não crescem na mesma proporção''.


