Depois de ouvir, recentemente, uma entrevista do ministro da Fazenda, Pedro Malan, sobre preço de combustível, o contabilista e consultor financeiro José Geraldo Sanches, de Andirá (Norte Pioneiro), resolveu fazer um estudo comparativo dos preços de quatro produtos derivados de petróleo. A conclusão não é animadora, embora todos a sintam no bolso: de abril de 94 a dezembro de 2000, a inflação média da gasolina, gás de cozinha, diesel e álcool foi de 368,13%.
Na entrevista, o ministro dizia que se o preço do barril de petróleo atingisse R$ 55,00 – equivalente a US$ 32,00 naquele momento – o preço da gasolina no mercado interno poderia baixar. ‘‘Mas isso nunca aconteceu. O preço do barril já chegou a US$ 26 e os derivados do petróleo continuam subindo’’, diz Sanches.
Usando os indicadores publicados diariamente na Folha Economia da Folha do Paraná/Folha de Londrina, o contabilista comparou os preços dos quatro derivados tendo como parâmetro o salário mínimo. Ele encontrou a inflação média dos produtos considerando o número de unidades/litros de cada produto que se comprava com um salário mínimo em abril de 94 e em dezembro de 2000.
Caso o preço do petróleo fosse parâmetro para o aumento do salário mínimo, o trabalhador brasileiro não poderia ganhar menos que R$ 555,88 conforme aponta o estudo de Sanches. O salário mínimo, em abril de 94, era R$ 64,79 (naquele ano usava-se a URV como indexador, mas o valor foi transformado em real pelo contabilista).
O litro de gasolina custava US$ 0,179; do álcool, US$ 0,141; do diesel, US$ 0,111; e o botijão de 13 litros custava US$ 1,524. Portanto, com um salário, diz o estudo, comprava-se 361,96 litros de gasolina, 459,40 litros de álcool, 583,69 litros de diesel e 42,51 botijões de gás.
Já em dezembro de 2000, com salário mínimo a R$ 151,00, era possível comprar 93,21 litros de gasolina, 157,13 litros de álcool, 195,09 litros de diesel e 8,63 botijões de gás. ‘‘Olhe só como o salário perdeu o poder de compra’’, comenta Sanches. Acompanhe no quadro o resultado completo do estudo do contabilista.

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