Não há um dia em que os jornais brasileiros não mostrem matérias falando sobre desvios de recursos públicos, fraudes e corrupção. Segundo o presidente do Sindicato das Empresas de Consultoria, Assessoria, Perícias e Contabilidade de Londrina (Sescap-LD), José Joaquim Ribeiro, a contabilidade correta e responsável é um dos melhores caminhos para evitar fraudes e reduzir a corrupção no País.
Ribeiro cita como exemplo os desvios de recursos que ocorrem em prefeituras, governos e órgãos públicos. ''Se a contabilidade é feita com rigor, acompanhada de auditorias regulares que também são atribuições dos profissionais da contabilidade , o número de fraudes cai brutalmente'', explica Ribeiro.
Hoje os profissionais da contabilidade são personagens chave nos governos e também nas empresas, sejam elas públicas ou privadas. As constantes mudanças nas leis brasileiras têm feito com que as empresas cada vez mais dependam e dividam as responsabilidades com seus contadores ou empresas que lhes prestam serviços de contabilidade. O contabilista, depois da entrada em vigor do novo Código Civil, teve a função mais valorizada. Em contrapartida passou a ser alvo de maiores responsabilidades nos seus atos, sobretudo na produção e divulgação dos demonstrativos contábeis.
Segundo Ribeiro, no novo Código Civil, além de modificações nas questões referentes à estrutura social das empresas, a nova legislação prevê que os contabilistas respondam pelas informações prestadas nos balanços financeiros das empresas. Por isso é essencial que o empresário se conscientize de sua responsabilidade e forneça as informações e documentos corretos para o seu contador.
''Se o profissional tiver conhecimento do erro apresentado nos relatórios, ele passa a ser tão responsável quanto o proprietário da empresa'', esclarece Ribeiro.
O artigo 1177 do novo Código trata da responsabilidade civil do contabilista. Caso o erro contido no balanço tenha sido involuntário, causado por imperícia, o profissional deve responder a quem prestou o serviço. Se o contador tiver conhecimento do erro ao divulgar o balanço, ele responderá à Justiça e outras entidades da mesma forma que o proprietário da empresa.
''Hoje todos os escritórios de contabilidade trabalham on-line com a Receita Federal e demais órgãos de arrecadação. Como tudo está interligado, pode-se dizer que a vida fiscal das empresas formais está escancarada. Portanto é imprescindível que todos os procedimentos contábeis sejam feitos com a maior correção'', esclarece Ribeiro.
O presidente da Federação dos Contabilistas nos Estados do Rio de Janeiro, Espírito Santo e Bahia (Fedcont-RJ), Luiz Sergio da Rosa Lopes, afirma que a nova legislação é uma forma de moralização das empresas. ''O contabilista é co-responsável e tem a obrigação de se recusar a processar informações ilícitas'', destaca Lopes. Ele compara a importância do novo Código à da Lei de Responsabilidade Fiscal. ''Assim como está sendo feito o esforço para moralizar o serviço público, é preciso cuidar das empresas'', diz.

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