Consumidores de energia elétrica do Paraná poderão optar, nos próximos anos, por pagar a conta no mesmo molde da telefonia celular a cartão. O programa, lançado no 14º Seminário Nacional de Distribuição (Sendi), realizado em Foz do Iguaçu, prevê a compra de um cartão magnético, em que estarão ‘‘armazenados quilowatts’’ para serem usados conforme a necessidade do cliente.
Duas residências, em Curitiba, já utilizam o cartão pré-pago. Os proprietários precisam comprar os créditos na Copel (que vai gerenciar o sistema), porém a idéia é ampliar o conjunto para outros estabelecimentos comerciais. As casas fazem parte de um projeto piloto lançado na capital paranaense em junho passado, mas que será ampliado para 10 imóveis em janeiro.
O sistema vai substituir os tradicionais relógios medidores e as faturas em papel. Para utilizar o serviço, bastará pedir a instalação de um aparelho da Procomp, mesma empresa fabricante das urnas eletrônicas e de caixas bancários. O equipamento é semelhante ao usado para ler cartões de créditos. Depois é preciso adquirir um cartão com a energia que será ‘‘descarregada’’ na máquina.
A pessoa pode verificar a reserva disponível a qualquer momento, mas quando os créditos estiverem terminando, vai soar um alarme, avisando o dono da casa que ele precisa depositar novos créditos. O término das unidades resulta no corte do fornecimento ‘‘da luz’’, informa o analista de sistema Angelo Bannack, da Latec – Instituto de Tecnologia para o Desenvolvimento, empresa de Curitiba, parceira da Copel para novas tecnologias, que idealizou o sistema.
Segundo ele, o programa é ideal, por exemplo, para casas de praia ou as colocadas para alugar, que normalmente consomem energia apenas nas temporadas de férias. ‘‘O proprietário pode depositar uma quantia ‘‘x’’ de energia, pagando o consumo por dez meses, sem precisar ir ao imóvel recolher a fatura mensalmente’’, afirma Bannack.
Na opinião dele, a novidade vai trazer vantagens para as distribuidoras de energia, como o fim da inadimplência, o fim dos gastos com os funcionários que fazem a leitura e, consequentemente, das faturas. Já os consumidores poderão controlar ‘‘melhor o consumo’’, não precisarão pagar taxa de corte e de religamento. Ele não mencionou se a tarifa será superior a cobrada atualmente pela Copel.
O consumo pago com antecedência foi lançado na exposição de produtos e serviços das firmas participantes da Sendi, que reúne cerca de 800 técnicos, profissionais e especialistas na área de energia. O evento termina hoje. Está marcada para hoje uma visita técnica a Itaipu Binacional e ao Centro de Distribuição da Copel.

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