Curitiba - As faturas das contas de luz ficarão 5% mais caras a partir de 1º de fevereiro, mesmo para os consumidores que pagam as faturas em dia. O reajuste é decorrente da retirada de parte do desconto que a Companhia Paranaense de Energia (Copel) vinha concedendo aos cerca de 3,1 milhões de consumidores em todo o Estado. O reajuste representa o repasse de parte do aumento de 14,43% concedido no ano passado pela Agência Nacional de Energia Elétrica, que vinha sendo dado como desconto para estimular a redução da inadimplência.
A reação do mercado financeiro foi imediata. As ações da Copel PN subiram 6% ontem na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) e foram negociadas a R$ 11,60. Na avaliação do analista Mohamed Talah Júnior, da Century Gestão de Negócios, a reação foi uma recuperação técnica já que o papel da Copel ainda está com defasagem.
Com a redução, os consumidores adimplentes, que pagam em dia suas faturas de luz, ainda terão um direito a um bônus de 8,2%, que corresponde à parcela remanescente do aumento concedido pela Aneel em junho do ano passado, cujo repasse não foi autorizado pelo governador Roberto Requião.
A Copel alegou aumentos de custos para justificar o aumento. Entre eles, o aumento da tarifa em dólar paga à Itaipu Binacional, que este mês promoveu um reajuste de 7,6% no repasse de energia. Também alegou aumento de custo expressivo decorrente da Conta de Desenvolvimento Energético, criada para financiar investimentos em energia alternativa.
Outro fator que pesou na decisão de reduzir o bônus foi a obrigatoriedade da Copel em aderir ao sistema de ''pool'', que centralizou as operações de compra e venda de energia. Conforme justificativa da empresa, ela passou a ter um risco antes inexistente que está pressionando o custo operacional. Antes do sistema de ''pool'', a Copel Geração vendia sua energia apenas para a Copel Distribuição, que era uma boa pagadora.
Agora, vende sua energia para 35 empresas diferentes, conforme negociação ocorrida em leilão de energia promovido pelo Ministério das Minas e Energia. A preocupação é que algumas dessas empresas possam ficar inadimplentes com a Copel. Na avaliação de técnicos da empresa, ela perdeu flexibilidade. O governador Requião questionou esse sistema em juízo, mas foi vencido pelo governo federal.
Apesar do aumento de custos, a concessão de descontos permanece, assegurou a empresa. Essa política começou em julho de 2003, quando o governador Requião vetou o aumento de 25,27% concedido pela Aneel. Por seis meses, esse aumento foi integralmente transformado em descontos. Em junho de 2004, a Aneel autorizou mais 14,43%, dos quais a Copel aplicou 9% remanescente do reajuste de junho de 2003. O novo aumento de junho de 2004 foi transformado integralmente em desconto e o consumidor passou a ter um bônus de 12,5%, agora reduzidos para 8,2%.

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