Consumo sustenta crescimento do PIB
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quinta-feira, 21 de outubro de 2004
Sheila DAmorim<br>Agência Estado 
Brasília - O consumo da população, que tanto tem preocupado o Banco Central (BC) por causa do impacto nos preços, deverá puxar o crescimento da economia este ano, contribuindo para um aumento de 2,9 pontos porcentuais do Produto Interno Bruto (PIB). Apesar da recuperação verificada em relação à queda de 1,9 ponto registrada em 2003, a contribuição da demanda doméstica para reativar a economia será a menor entre os países da América Latina. Isso é o que revela um relatório elaborado pelo Banco das Compensações Internacionais (BIS), obtido com exclusividade pela Agência Estado. Ainda assim, a inflação projetada em 7,4% para este ano será maior no Brasil do que nas economias vizinhas.
A recuperação do consumo e o risco de que isso leve a reajustes generalizados dos preços da indústria têm sido apontados pelos diretores do BC que integram o Comitê de Política Monetária do BC (Copom) como um dos argumentos para justificar ''o ajuste gradual'' na taxa de juros iniciado em setembro. No entanto, a avaliação de que a maior demanda por bens e serviços já estaria criando pressões inflacionárias ainda é motivo de polêmica entre especialistas do mercado financeiro, que vêem nos choques externos - especialmente na alta do petróleo - a causa da alta do índices de preço ao longo deste ano.
O documento do BIS será apresentado pelos diretores de Política Econômica do BC, Afonso Beviláqua, e de Estudos Especiais, Eduardo Loyo, num encontro reservado organizado em parceria com o BC, hoje e amanhã no Rio de Janeiro. Segundo o texto, em países como Argentina, Chile, Colômbia e México o consumo interno em 2004 será bem maior, mas eles registrarão inflação menor do que a brasileira. No caso da Argentina, a contribuição da demanda doméstica para crescimento do PIB este ano será de 8,6 pontos; no Chile, 4,9 pontos; na Colômbia, 4,8; e no México, 4. Enquanto isso, a inflação em 2004 está estimada em 6,8% na Argentina; 2,8%, no Chile; 5,8%, na Colombia; e 4,4%, no México.
Mesmo com a recuperação do mercado interno, as exportações, que puxaram inicialmente o crescimento brasileiro, continuarão sendo um suporte importante para a expansão econômica, contribuindo com 1,6 ponto porcentual, segundo o estudo. No ano passado, se não fosse a contribuição de 1,7 ponto porcentual do setor exportador, a queda de 0,2% registrada no PIB teria sido bem maior.
Ainda segundo o documento - que foi mantido em sigilo no BC e servirá de base para as discussões dos diretores com representantes dos bancos centrais de toda América Latina, além do BIS e do Federal Reserve (o BC dos EUA) -, as projeções de investimentos externos na região são de apenas 17,9% do PIB, ante 18,3% no ano passado e uma média de 20,6% no período entre 1997-2002. ''Essas baixas taxas de investimento não são encorajadoras do ponto de vista das perspectivas de crescimento no longo prazo'', destaca o documento. Para o Brasil, o volume de investimentos está estimado em 19,3% do PIB; para o Chile, 20%; para o México, 18,9%; para a Colômbia, 15,5%; e para a Argentina, 16,6%.


