A economia brasileira em janeiro começa a dar sinais de recuperação, depois de dois meses consecutivos de queda da produção industrial (-3,5% em novembro e -5% dezembro). As estimativas do Instituto de Pesquisa de Economia Aplicada (Ipea) apontam para um crescimento de 6% da atividade da indústria em janeiro em relação a dezembro e 1,5% sobre o mesmo mês do ano passado.
Com esse resultado, as últimas projeções de queda de 2% do Produto Interno Bruto (PIB) no 1º trimeste do ano, feitas pelo Ipea no final de dezembro, foram revistas para uma redução de apenas 0,7% em relação ao último trimestre de 1997. Os dados são dessazonalizados - ou seja, não levam em conta fatores específicos de cada época do ano - e constam da Carta de Conjuntura do Ipea de fevereiro, divulgada ontem.
Na comparação com o primeiro trimeste de 97, o crescimento da economia entre janeiro e março deste ano ainda é mais expressivo, algo em torno de 3%, conforme informou o chefe do grupo de acompanhamento conjuntural do Ipea, Paulo Levy. Os números superam todas as estimativas feitas até agora por especialistas, mas Levy, em dezembro do ano passado, já esperava uma reativação da economia por conta do aumento do consumo no fim do ano, que surpreendeu o comércio. ‘‘Dezembro foi um mês ruim para produção, mas o consumo foi alto, o que acabou levando a uma recuperação da indústria em janeiro’’, explicou.
Essa recuperação de janeiro foi puxada pelos setores de bens semiduráveis e não-duráveis (vestuário e alimentação, por exemplo), que cresceram 8,9% em relação a janeiro de 97, e pelo segmento de bens de capital, com uma alta de 9,1% na comparação com janeiro do ano passado. Mas Levy observa que quase todos os segmentos tiveram bom desempenho no mês passado, com exceção de bens intermediários, que havia apresentado a menor queda nos últimos dois meses de 97 e permaneceu relativamente estável em janeiro.
Além disso, os efeitos estatísticos colaboraram para o bom resultado do início do ano. ‘‘O primeiro trimestre do ano passado foi fraco, logo a base de comparação era muito baixa’’, disse Levy.
Déficit Apesar das boas notícias, os economistas do Ipea alertam que o ajuste estrutural das contas públicas é condição básica para a sustentação da política de estabilização. ‘‘O déficit público nominal de 5,89% do PIB foi bem mais alto do que esperávamos, é preciso um esforço em certas áreas do governo para diminuir o déficit neste ano’’, diz Levy.
De qualquer forma, apesar do descontrole das contas de Estados e municípios e da Previdência, que tiveram maior impacto negativo sobre o déficit, Levy observa que uma boa parte do mau resultado de 97 tem a ver com os esqueletos do governo, como os subsídios agrícolas concedidos em 95 na renegociação das dívidas dos pequenos e médios agricultores, e o impacto disso nas contas públicas está aparecendo só agora.

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