O consultor de finanças pessoais e empresariais Charles Vezozzo comenta que é natural que a liderança da pesquisa ainda esteja com o entretenimento (39%). O levantamento da Nielsen mostrou que os brasileiros ainda utilizam seu dinheiro excedente com diversão fora de casa, seguido do pagamento de dívidas (35%) e investimento em poupança (32%). Ele explica que o aumento do poder aquisitivo de certos extratos sociais fez com que os brasileiros desejassem viajar, comprar eletroeletrônicos, comer fora. ''Mesmo com esta tendência, outras pesquisas já apontaram que o brasileiro quer pagar suas dívidas. O fato é que o consumidor busca liquidar o que deve e fugir dos altos juros.''
O que não pode acontecer, segundo Vezozzo, é deixar que o consumo supérfluo acabe se tornando prioridade frente ao consumo básico e intermediário. ''Existem grupos de despesas diferentes, onde o principal é o da saúde, alimentação e moradia. Por isso, é preciso fazer um diagnóstico das finanças pessoais, colocar a situação no papel. Não é possível parar de consumir, mas é possível diminuir os excessos e estabelecer prioridades'', relata ele.
O consultor também lembrou que o acesso facilitado ao crédito está sendo uma armadilha para a população brasileira. ''Aqui no Brasil pode acabar ocorrendo o mesmo fenômeno dos Estados Unidos, onde cada indivíduo possui diversos cartões de crédito. Isso é muito perigoso. A gestão financeira tem que ocorrer de maneira madura. A forma como lidamos com o dinheiro também mostra quem somos nós.''(V.L.)

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