Consumo sem planejamento é vilão de orçamento
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quarta-feira, 26 de setembro de 2012
Andréa Bertoldi <br> <br> Reportagem Local 
Curitiba - Uma pesquisa nacional realizada pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) mostrou que 41% dos consumidores brasileiros já estiveram ou estão impossibilitados de fazer compras a prazo por estarem com o nome ''sujo''. Apesar deste cenário incluir pessoas das classes A e B, o estudo mostra que são os brasileiros das classes C e D os que mais sofrem com a situação da inadimplência. Os motivos principais são a falta de planejamento financeiro (23%) e a dificuldade de avaliar o quanto efetivamente pagam quando fazem compras parceladas. Além disso, outros motivos são o desemprego, em 20% dos casos, e o empréstimo do nome para outras pessoas, em 12% das situações.
Para o economista do SPC Brasil Nelson Barrizzelli, um dos fatores que evitaria a inadimplência é o conhecimento dos juros embutidos nos financiamentos. ''Pessoas com menor escolaridade são as que mais ignoram o assunto e, como consequência, são as que mais juros pagam nas suas compras financiadas'', disse ele.
O problema é ainda mais grave quando se observa que 64% das famílias com renda até R$ 3.835 possuem entre um e quatro cartões de crédito. Nas famílias com renda acima desse limite, o percentual é de 77%. Dessa forma, famílias com poder aquisitivo completamente diferentes têm praticamente o mesmo acesso ao uso de cartões.
A pesquisa mostrou que 36% dos entrevistados recorrem a crédito por não terem dinheiro para pagar à vista e 16% por preferir pagar as contas parceladas. Os locais nos quais as pessoas mais buscam crédito são em bancos (44%) e cartões de crédito (38%).
O levantamento ainda apontou que 54% dos entrevistados possuem renda comprometida com compras parceladas no cartão de crédito e 69% consideraram que o acesso ao crédito está mais fácil neste ano em relação a 2011.
O professor do curso de Economia da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR), Carlos Magno Bittencourt, disse que o endividamento está diretamente relacionado com a perda de controle do orçamento doméstico. ''O brasileiro não olha a taxa de juros embutida nas prestações, mas se a parcela vai caber no orçamento dele'', destacou.
Segundo ele, financiamentos longos oferecidos pelo comércio sem juros também embutem taxas. O ideal seria o consumidor procurar o concorrente que ofereça descontos para pagamento à vista. Bittencourt destacou ainda que os juros cobrados pelas financeiras de 8% ao mês chegam a 160% ao ano e os do cartão de crédito de 10,69% ao mês podem atingir 238,3% ao ano.
O professor destacou que esta é uma boa época do ano para recuperar o crédito com a entrada de dinheiro extra como a restituição do Imposto de Renda e o 13º salário. Outra saída é trocar juros mais caros como o do cartão de crédito por mais baratos como o do crédito consignado. ''Isso dá um fôlego maior no orçamento'', disse.
''Metade das pessoas tem uma administração financeira conturbada'', disse o consultor Raphael Cordeiro. Segundo ele, nas classes C e D, a proporção das despesas essencias como habitação, alimentação e transporte em relação a renda é maior do que nas classes mais altas. Por isso, ocorre o endividamento maior nestas camadas da população com renda menor. Ele recomenda que o consumidor não comprometa mais de 25% da renda com financiamento da casa e 15% com o do carro.



