Consumo precisa ser consciente
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sábado, 14 de março de 2009
Andréa Bertoldi<br> Equipe da Folha 
Curitiba - No Dia Internacional do Consumidor, comemorado hoje, a psicanalista Márcia Tolotti avalia que a compra muitas vezes não é realizada apenas por necessidade mas por motivações psicológicas que podem levar ao endividamento. Tolotti, que também é autora do livro ''As armadilhas do Consumo'', conta que os principais motivos que levam a comprar são insatisfação, angústia, tristeza, baixa estima, inveja e necessidade de status.
''As pessoas não toleram não ter determinada coisa na hora. Vivemos uma era de muita urgência. As pessoas preferem se endividar e pagar juros abusivos para ter as coisas'', disse. Ela destaca que, em muitas situações, as pessoas não têm necessidade, mas vontade de comprar.
Márcia acredita que o aspecto positivo da crise financeira é que as pessoas podem redimensionar as escolhas. Por outro lado, há pessoas que com a crise, desenvolvem um quadro depressivo por não ter as coisas, porque não podem mais comprar ou por estarem endividadas.
''É um processo ilusório que a compra vai resolver o problema da pessoa. Tem consumidores que, já ao sair da loja estão angustidos'', disse. Márcia acredita que para resolver o problema do endividamento basta não gastar o que a pessoa não tem, não fazer financiamentos longos e poupar uma parte do salário que pode ser de 10% a 30%. Para ela, essa parte técnica é a mais fácil.
O problema é as pessoas perseguem o tempo todo a necessidade de ter uma imagem boa e mostrar status. A dica dela é que, antes de adquirir algo, a pessoa reflita se está comprando por necessidade ou por motivação psicológica como tristeza, angústia ou outros motivos como uma crise amorosa ou dificuldades profissionais. ''É importante sempre levar em conta em qual momento a pessoa está fazendo a compra'', destacou. Isso principalmente para os artigos que não são de necessidade básica. ''Quanto mais ansiosa a pessoa estiver para comprar, maior é a probabilidade de que está comprando por interferência psicológica'', disse.
''Percebi que além de aprender a gerenciar o dinheiro através da educação financeira, é necessário que cada um compreenda os reais motivos envolvidos no ato da compra. Constatei, na prática, que pessoas com pouco ou com muito dinheiro têm em comum o sofrimento e a aflição'', afirmou Márcia.
Neste ano, o Procon-PR pretende fazer um trabalho direcionado para o consumo consciente. A coordenadora da entidade, Ivanira Gavião Pinheiro, orienta que o consumidor deve fazer o planejamento financeiro e não comprar por impulso sem calcular os juros embutidos. Ela também recomenda o cuidado com compras realizadas com cartão de crédito. Ainda neste ano, o Procon-PR deve lançar um manual do consumo consciente.
''Diante da crise financeira, procuro não fazer muitas contas e dívidas'', disse o professor Idemar Vanderlei Beki. ''Sou bem impulsiva para comprar. Agora (com a crise) dei uma parada'', afirmou a atendente de vendas Viviane Souza Araujo.


