Consumo popular deve guiar fusões e aquisições
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 10 de dezembro de 2003
Das agências 
São Paulo - As fusões e aquisições no próximo ano devem se concentrar em empresas de bens de consumo popular, como alimentos, bebidas e eletroeletrônicos de baixo valor unitário, ao contrário do que prevaleceu nos últimos anos, quando os negócios giraram em torno das privatizações e do setor financeiro. A previsão é do consultor José Luiz Saicali, sócio da KPMG. Para ele, essa tendência deve ganhar força e se consolidar, caso a economia volte a crescer de forma sustentada em 2004.
A política de empréstimos com desconto em folha de pagamentos deve dar condições para que o consumo popular deslanche no próximo ano, avalia o consultor. Nesse sentido, as empresas deverão buscar negócios de fusões ou aquisições para ingressarem em mercados ou segmentos dos quais estão ausentes ou para aumentarem sua participação.
Um exemplo desse movimento ocorreu nesta semana. Ontem, a maior rede varejista do País, o Grupo Pão de Açúcar, firmou uma associação com o Grupo Sendas, restrita ao Estado do Rio de Janeiro. O negócio surpreendeu o mercado, porque se dizia que não havia mais oportunidades para grandes fusões no setor - exceto no caso da Rede Bompreço, que continua em negociação. A despeito dos interesses estratégicos das redes, o que movimenta esse tipo de operação é a perspectiva de crescimento do consumo popular no País.
De acordo com Arthur Sendas, que presidirá o conselho da nova empresa, o presidente do BNDES, Carlos Lessa, foi informado sobre a operação, que depende ainda da análise de órgãos de defesa da concorrência. Lessa teria aprovado a idéia, segundo Sendas. ''Eles (do BNDES) deram os parabéns. Acharam que juntar as duas empresas seria muito importante.''
A nova empresa terá mais de 18% do mercado brasileiro, ampliando a liderança do Pão de Açúcar no ranking. Com o negócio, o faturamento do Pão de Açúcar subirá de R$ 13 bilhões para R$ 15 bilhões ao ano.
Apesar disso, as empresas estão cautelosas. Pesquisa bianual feita com as mil maiores empresas no País, divulgada ontem pela KPMG, mostra que para 64% dos executivos entrevistados a tendência de fusões e aquisições continuará crescente nos próximos 5 anos. Esse número representa redução de 24 pontos porcentuais em relação aos 88% da pesquisa realizada em 2001. O número de empresas que usam serviços especializados de due diligence (processos de investigação nas empresas para reduzir riscos nas operações) subiu de 72%, em 2001, para 76% agora.


