Consumo pode ter freio, diz Barros
BRASÍLIA - O governo ainda não concluiu se deve ou não adotar medidas de restrição do consumo interno para, indiretamente, reduzir as importações, estimular as exportações e diminuir o desequilíbrio da balança comercial, mas não descarta a necessidade de tomar providências nesse sentido. Continuamos achando que os dados disponíveis ainda são divergentes e não permitem um diagnóstico seguro, disse o secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, José Roberto Mendonça de Barros.
Barros deixou claro, no entanto, que o governo espera uma acomodação do consumo neste ano. É necessário que em alguns setores a expansão do consumo seja menor do que no ano passado, disse ele, usando como exemplo o aumento de 30% registrado nas vendas de produtos eletrônicos em 1996. Segundo Barros, essa acomodação será necessária para permitir o crescimento da construção civil e maior oferta de produtos para exportação.
Se isso vai ocorrer naturalmente ou precisará de um empurrão do governo, ainda é uma dúvida, disse o secretário. Ele ressaltou, no entanto, o cuidado com que o governo examina a hipótese de frear a economia para não prejudicar os investimentos que estão sendo feitos no País. Medidas desse tipo não se tomam sem custos e o crescimento dos investimentos, junto com o ajuste das contas públicas, é essencial para o ajuste estrutural da economia e o equilíbrio do balanço de pagamentos, frisou.
A discussão sobre a necessidade de frear a economia se intensifica com o crescimento dos saldos negativos da balança comercial. No primeiro bimestre do ano o País registrou crescimento na importação de praticamente todos os grandes grupos de produtos. Os itens de maior peso na paut a de importação continuaram sendo matérias-primas e produtos intermediários (US$ 4,087 bilhões) e bens de capital (US$ 2,147 bilhões). As compras externas desses produtos cresceram 18,9% e 34,8%, respectivamente, em relação ao primeiro bimestre de 1996.
Segundo Barros, esse porcentual elevado decorre da base
pequena de comparação. No início do ano passado a importação de automóveis estava muito reduzida, devido ao aumento das tarifas decretado pelo governo como parte da nova política para o setor automotivo. Em junho de 1996, no entanto, o governo concedeu cotas de importação e as tarifas foram reduzidas para o Japão e países europeus.





