Consumo pode elevar PIB
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terça-feira, 15 de outubro de 2013
Ricardo Leopoldo<br>Agência Estado 
São Paulo - Os resultados positivos do varejo em julho e agosto indicam que o nível de atividade no começo do segundo semestre está melhor do que o esperado e indica que há um viés de alta do Produto Interno Bruto (PIB) deste ano, comentou a economista-chefe da Rosenberg, Thaís Zara. Ela estima que o País deve crescer 2,3% em 2013, mas com um desempenho mais favorável do nível de atividade nos dois últimos trimestres do ano, puxado pela recuperação do consumo, o Brasil pode apresentar uma expansão de 2,5%. Ela esperava que o varejo restrito em agosto cairia 0,1%, mas ocorreu uma elevação de 0,9%.
"A redução das alíquotas de IPI para alguns segmentos de produtos duráveis, mais o estímulo às vendas de eletrodomésticos e móveis pelo programa Minha Casa Melhor são fatores que contribuíram para o bom desempenho do comércio em agosto, pelo segundo mês seguido", afirmou Thaís. Para setembro, ela espera que as vendas do setor tenham uma marca levemente positiva sobre agosto.
De acordo com a economista, a redução recente do IPCA mensal e alguns sinais de evolução nas condições de crédito colaboraram no desempenho favorável das vendas do varejo em agosto. "A inflação em queda, especialmente de alimentos, ajuda a ampliar a renda disponível das famílias", ponderou. O IPCA ficou praticamente estável em julho, pois subiu 0,03%, avançou 0,24% em agosto e aumentou 0,35% em setembro.
Na avaliação de Thaís Zara, o aumento das vendas do comércio está também relacionado com a redução da inadimplência e menor comprometimento da renda das famílias com crediários. E estes dois fatores, segundo ela, estão vinculados ao aumento da seleção dos bancos e financeiras para a concessão de financiamentos. "Parece que a situação hoje é bem mais razoável na área de crédito do que a registrada durante o boom ocorrido em 2010 e 2011", comentou. Neste contexto de melhores condições para empréstimos às famílias, ela espera que as vendas de varejo devem avançar 4,5% neste ano.
Um outro elemento importante que está ajudando a incrementar os negócios do varejo é a melhora da confiança das famílias, que foi abalada na virada do primeiro para o segundo semestre, sobretudo pelos protestos populares em grandes capitais. Para Thaís, este novo elemento pode ajudar muito para fazer com que o PIB do terceiro trimestre fique estável ou levemente positivo, na margem, ao invés de cair 0,2%, como é sua estimativa atual.
"E pode ser também que isso esteja ocorrendo devido ao avanço forte do PIB de 1,5% no segundo trimestre", destacou. Segundo ela, o surgimento de boas notícias nas vendas do comércio no terceiro trimestre por sua vez também pode influenciar de forma positiva o consumo dos cidadãos e melhorar o nível de atividade de todo o segundo semestre.


