Rio de Janeiro- O consumo de produtos de largo uso alimentos, bebidas, higiene pessoal, limpeza, mercearia e perecíveis cresceu 6,1% nos primeiros sete meses do ano. O resultado é de uma pesquisa recém-concluída da ACNielsen, que abrange 159 categorias de produtos no País. O resultado é o maior para os primeiros sete meses, comparado ao desempenho de 2003 e 2004, mas nos últimos dois bimestres houve uma desaceleração no avanço.
O crescimento do consumo foi de 6,3% no bimestre dezembro/janeiro, na comparação com o mesmo período do ano anterior, conforme a metodologia da pesquisa, que não segue o calendário anual. Em fevereiro e março, o avanço chegou ao pico deste ano (7,9%). Nos bimestres seguintes, a expansão foi relativamente menor: 5,4% no período abril/maio e 4,8%, em junho/julho.
Na avaliação da gerente de Serviços a Clientes da Nielsen, Tereza Araújo, como a base de comparação ficou maior ao longo do ano passado, os crescimentos foram menores. Já o economista do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Marcelo Ávila, observa que o movimento detectado no levantamento sobre consumo coincide com a evolução da massa salarial ao longo do ano: ela continua avançando, mas em ritmo menos acentuado do que desde o início de 2005.
''A desaceleração da massa salarial se mostrou contínua e isso realmente freia o padrão de consumo'', afirma Ávila, especialista em mercado de trabalho. Ele explica que houve, realmente, um alto consumo no segundo semestre do ano passado. Lembra, ainda, que apesar de o crescimento da massa salarial estar desacelerando, o crédito, mais voltado aos bens duráveis, acaba liberando recursos no orçamento familiar, ajudando a compra de bens semi e não duráveis.
Ainda assim, a gerente da Nielsen avalia que o crescimento do volume de consumo este ano vai superar o aumento de 3,4% do ano passado. Em 2003, houve queda de 0,6%, a primeira desde o início do Plano Real. Tereza informa que o segundo semestre é tradicionalmente mais forte. De forma geral, os resultados dos primeiros sete meses indicam que o consumo dos bens semi e não duráveis está surpreendendo, diz ela.
Preços baixos - A executiva explica que os preços médios dos produtos pesquisados tiveram queda real (descontada a inflação) de 3,2% este ano, fator que ajudou o consumo. Em alguns casos o aumento de preços foi inferior à inflação de 7,4% medida pelo IPCA no período. Em outros, como nos produtos de mercearia salgada, houve quedas efetivas de preço. Em volume, as vendas evoluíram de janeiro a julho da seguinte maneira: perecíveis (10%), mercearia salgada (7,3%), bebidas não-alcoólicas (7,2%), limpeza caseira (6,6%), higiene pessoal (6%), mercearia doce (4,6%), bebidas alcoólicas (2%) e outros (2,5%).

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