Consumo menor não segura preço da carne
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quarta-feira, 26 de novembro de 2003
Carolina Avansini<br>Reportagem Local 
O baixo consumo de carne no mercado interno não foi suficiente para segurar o preço do boi gordo. A arroba, cotada a R$ 60,50 ontem no Norte do Paraná, acumula alta de 2,5% nos últimos 30 dias. No atacado, a carne acompanha a valorização do boi gordo, com cortes traseiros comercializados a R$ 4,40 por quilo de equivalente carcaça. As informações são de Gustavo Fanaya, economista do Sindicato das Indústrias de Carnes e Derivados do Paraná (Sindicarne).
Com a chegada do final do mês e a iminência do pagamento dos salários, o consumo deve se aquecer a abrir espaço para novas valorizações. ''Os pecuaristas retêm animais no pasto à espera de preços melhores'', considerou. A tendência se mantém até a primeira semana de dezembro. Após essa data, a proximidade das festas de final de ano deve incentivar o consumo de outros tipos de carne, reduzindo a demanda pela carne bovina.
Fabiano Ribeiro Tito Rosa, analista de mercado da Scot Consultoria, em Bebedouro (SP), comentou que o mercado está aquecido pelo atraso da safra. ''Faltou chuva'', disse, acrescentando que a oferta de animais confinados está baixa e ainda não há boi de pasto disponível. Para ele, os preços só não estão mais altos pelo baixo consumo no mercado interno.
Fanaya comentou que, no Paraná, as negociações de carne bovina caíram 5% em novembro, com relação ao mesmo período do ano passado. ''Diminuiu a renda da população e aumentou o número de desempregados'', justificou. O preço do frango se mantém estável em R$ 2,50 no atacado, estimulando a substituição na mesa do consumidor.
O preço do boi gordo é sustentado pelas exportações que, segundo Tito Rosa, cresceram de 25% a 30% em 2003. O Brasil vai produzir, até o fim do ano, 7,5 milhões de toneladas de equivalente carcaça de carne. O volume é 3,5% maior que o total produzido no ano passado. As exportações correspondem a 17% da produção, o que perfaz 1,25 milhão de toneladas de equivalente carcaça.
Confirmando a tendência apontada pelos analistas, o pecuarista Euclides José Formighieri, de Cascavel, revelou que vendeu animais de confinamento essa semana e só pretende efetuar novas vendas no começo de dezembro. ''O preço sempre melhora'', disse ele, que confinou 1,7 mil animais e possui, disponível para venda, 500 bois rastreados.
Formighieri produziu todo o alimento consumido pelo gado no inverno. Por isso, alcançou bons resultados. Com custo de R$ 600,00 por animal no período de seis meses, ele comercializou cada boi por aproximadamente R$ 1 mil. ''Vale a pena'', considerou.


