CONSUMO INFANTIL - Crianças têm poder de compra nas famílias brasileiras
Uma pesquisa encomendada ao Instituto Datafolha sobre consumismo na infância, realizada ano passado em São Paulo, aponta que 85% dos pais concordam que as propagandas levam seus filhos a serem consumistas e isto acaba influenciando no orçamento familiar. A alta exposição das crianças, principalmente entre 3 e 12 anos, às mídias mais diversas está ocasionando um fenômeno conhecido como mercantilização da infância, que prejudica as relações de afeto e causam um estresse familiar. Uma das alternativas para atenuar este e outros problemas relacionados ao consumismo nesta faixa etária foi discutido semana passada em Londrina, durante o II Simpósio do Direito do Consumidor.
A palestrante foi Ekaterine Karageorgiadis, advogada do Projeto Criança e Consumo, do Instituto Alana, que atua tanto recebendo denúncias sobre o tema como acompanhando os Projetos de Lei que estão em tramitação no Congresso. Em entrevista à FOLHA, ela salienta que a defesa do instituto é que não haja publicidade dirigida a crianças, independentemente do produto. Na verdade, elas já seriam limitadas quando analisamos a Constituição, o Estatuto da Criança e do Adolescente e o Código de Defesa do Consumidor, explica ela.
Outra pesquisa do Datafolha relatada por Ekaterine esta realizada em maio deste ano em todo o Brasil aponta que em 80% dos lares pesquisados é a criança que tem o poder de decisão na hora da compra. Ela afirma que a falta de uma lei específica dificulta porque as interpretações da propaganda acabam sendo diversas. Em 28 países, aproximadamente, há algum tipo de restrição para publicidade infantil, seja em relação ao horário ou à publicidade dentro de programas infantis. E não estamos falando em países antidemocráticos, e sim de Europa e Estados Unidos.
Em algumas famílias, a mesada é a alternativa encontrada para ensinar às crianças um consumo mais consciente e equilibrado. É o caso da dona de casa Bárbara Francisconi e Silva, que viu na mesada uma forma de controlar os gastos de sua filha Giovanna, de 12 anos. Há cinco anos, a garota recebe um valor mensal, evitando o excesso de gastos.
● Para tentar atenuar o consumismo infantil, o Instituto Alana recebe as denúncias e as encaminha para o Procon das cidades e até para o Ministério Público
● Erotização precoce e a obesidade são alguns dos aspectos negativos apontados como consequência do consumismo infantil





