Um dinheiro extra no bolso e alguns dias de folga do trabalho. A união destes dois fatores, para os cunhados Paulo César Pinto e Paulo César da Silva, foi traduzida na melhoria da casa própria. Os dois têm casas separadas, mas dividem o mesmo terreno no Jardim Catuaí (Zona Norte) e, juntos, estão construindo uma garagem. ‘‘Estamos construindo a casa aos poucos, faz cinco anos que começamos a construção e, agora, sobrou um dinheirinho. Depois da garagem, mais para frente, vamos fazer uma área em frente à porta da cozinha’’, contou Paulo Pinto.
  Os cunhados fazem parte de um grupo que movimenta as lojas de materiais de construção e que também são responsáveis por manter o setor aquecido. No ano passado, a construção civil foi o segmento que mais gerou empregos formais em Londrina e registrou crescimento de 7%. A expectativa é que o setor repita este desempenho neste ano. O consumo ‘‘formiguinha’’, caracterizado pelas pessoas que compram materiais em pequenas quantidades para obras de reforma ou melhoria, são responsáveis por 70% do movimento nos depósitos.
  ‘‘A expansão do consumo que o ocorreu no setor de eletros há alguns anos agora chegou à construção’’, avaliou Adriano Montanari, presidente da Federação do Comércio de Materiais de Construção do Paraná (Fecomaco). Segundo ele, em Londrina são entre 300 e 350 pontos de vendas de materiais, dos quais cerca de 95% são pequenas e médias empresas. ‘‘Hoje o comércio regionalizado (nos bairros) está crescendo devido à facilidade; praticamente não há diferença de preços entre as lojas do centro e as dos bairros e ainda há proximidade entre dono e clientes’’, comentou.
  Além disso, a periferia ainda oferece horários de funcionamento mais flexíveis do que os da região central. De acordo com Montanari, as compras parceladas já representam metade do movimento dos depósitos. ‘‘A queda das taxas de juros tem levado os consumidores a optar pelo parcelamento. E isso é bom porque, assim, os consumidores fazem a compra de uma vez só e terminam logo a obra’’, observou. Os itens mais vendidos seriam: cimento e peças para acabamento.
  O presidente da Fecomaco acrescentou que o crescimento do mercado ainda não contribuiu para um aumento dos custos dos produtos. ‘‘O preço do aço subiu 10% neste ano, mas foi em função do mercado externo. Já os preços da areia, pedra e do cimento estão estáveis, apenas acompanharam o índice da inflação. O investimento na construção é positivo porque a pessoa está investindo também no bem-estar da família’’, afirmou.
  Qualidade de vida, segurança e valorização do imóvel foram os fatores que motivaram o segurança Eliezer Teixeira Rosa a reformar sua casa, também na Zona Norte. Esta é a primeira obra que ele faz no imóvel de dois cômodos: melhoria no banheiro e colocação de um piso externo. Depois pretende aumentar a casa com a construção de uma sala, uma copa e até uma piscina. ‘‘Entrou um dinheiro extra e resolvi reformar a casa. Veio em boa hora’’, disse. Ele comentou que pagou os materiais à vista para não ficar com dívidas.

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