Consumo formiguinha movimenta depósitos
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 05 de março de 2008
Fernanda Mazzini<br>Reportagem Local 
Um dinheiro extra no bolso e alguns dias de folga do trabalho. A união destes dois fatores, para os cunhados Paulo César Pinto e Paulo César da Silva, foi traduzida na melhoria da casa própria. Os dois têm casas separadas, mas dividem o mesmo terreno no Jardim Catuaí (Zona Norte) e, juntos, estão construindo uma garagem. Estamos construindo a casa aos poucos, faz cinco anos que começamos a construção e, agora, sobrou um dinheirinho. Depois da garagem, mais para frente, vamos fazer uma área em frente à porta da cozinha, contou Paulo Pinto.
Os cunhados fazem parte de um grupo que movimenta as lojas de materiais de construção e que também são responsáveis por manter o setor aquecido. No ano passado, a construção civil foi o segmento que mais gerou empregos formais em Londrina e registrou crescimento de 7%. A expectativa é que o setor repita este desempenho neste ano. O consumo formiguinha, caracterizado pelas pessoas que compram materiais em pequenas quantidades para obras de reforma ou melhoria, são responsáveis por 70% do movimento nos depósitos.
A expansão do consumo que o ocorreu no setor de eletros há alguns anos agora chegou à construção, avaliou Adriano Montanari, presidente da Federação do Comércio de Materiais de Construção do Paraná (Fecomaco). Segundo ele, em Londrina são entre 300 e 350 pontos de vendas de materiais, dos quais cerca de 95% são pequenas e médias empresas. Hoje o comércio regionalizado (nos bairros) está crescendo devido à facilidade; praticamente não há diferença de preços entre as lojas do centro e as dos bairros e ainda há proximidade entre dono e clientes, comentou.
Além disso, a periferia ainda oferece horários de funcionamento mais flexíveis do que os da região central. De acordo com Montanari, as compras parceladas já representam metade do movimento dos depósitos. A queda das taxas de juros tem levado os consumidores a optar pelo parcelamento. E isso é bom porque, assim, os consumidores fazem a compra de uma vez só e terminam logo a obra, observou. Os itens mais vendidos seriam: cimento e peças para acabamento.
O presidente da Fecomaco acrescentou que o crescimento do mercado ainda não contribuiu para um aumento dos custos dos produtos. O preço do aço subiu 10% neste ano, mas foi em função do mercado externo. Já os preços da areia, pedra e do cimento estão estáveis, apenas acompanharam o índice da inflação. O investimento na construção é positivo porque a pessoa está investindo também no bem-estar da família, afirmou.
Qualidade de vida, segurança e valorização do imóvel foram os fatores que motivaram o segurança Eliezer Teixeira Rosa a reformar sua casa, também na Zona Norte. Esta é a primeira obra que ele faz no imóvel de dois cômodos: melhoria no banheiro e colocação de um piso externo. Depois pretende aumentar a casa com a construção de uma sala, uma copa e até uma piscina. Entrou um dinheiro extra e resolvi reformar a casa. Veio em boa hora, disse. Ele comentou que pagou os materiais à vista para não ficar com dívidas.


