Elas levam a fama de ''gastadeiras'' e eles, de pagarem as contas. Culturalmente, as mulheres são consideradas as mais consumistas. No entanto, pesquisas realizadas entre consumidores apontam que os homens compram tanto quanto as mulheres ou mais. Um estudo feito pela Universidade de Medicina de Stanford (EUA) apontou que eles podem ser tão compulsivos por compras quanto elas, e outro levantamento realizado pela Associação Brasileira de Shopping Centers (Abrasce) mostrou que o maior valor médio de compras fica entre os homens - R$ 107.
O estudo norte-americano destacou que um em cada 20 homens respondeu que sofre de compulsão por compras. Os sintomas foram registrados em 6% das mulheres e 5,5% dos homens. Já a pesquisa da Abrasce, que mostrou o perfil e hábito de frequência em shoppings de algumas capitais brasileiras, indicou que o consumidor de shopping é um pouco mais feminino (55%), mas os homens estão se aproximando. Em Brasília, por exemplo, o perfil de frequentadores é ligeiramente masculino.
O levantamento da Abrasce também apontou que os homens estão se aproximando das mulheres no fator frequentadores de shopping: em média os clientes visitam 2,5 lojas cada vez que vão ao centro de compras, a média de loja visitada por clientes do gênero feminino é 2,7 lojas contra 2,1 lojas do masculino. Na média de conversão de vendas - o número de lojas que compra em relação ao número de lojas que entra - os maiores valores ficam entre os homens, 62%. Segundo a pesquisa, o gasto médio por visita ao shopping é de R$ 95. E no item maior valor médio entre os gêneros, os homens ganham disparado das mulheres R$ 107, e os clientes da classe A gastam R$ 135.
''A sensação de comprar é de puro prazer. É bom ter um produto novo'', ressalta um consumidor que prefere não se identificar, e que será chamado de Kleiton. Ele diz que vai ao shopping, pelo menos quatro vezes por semana e que dificilmente sai de lá sem ter feito alguma compra, nem que for um chocolate. ''Quando eu saio de casa já sei o que quero comprar. Entro na loja, vou direto ao produto e faço a compra, mas daí sempre acabo levando outras coisas que estão por perto'', confessa.
Quando não tem o dinheiro para pagar à vista, Kleiton paga com o cartão. ''Mas não faço compras que comprometam meu orçamento. Apesar de, às vezes, comprar mais do que preciso, controlo bem o dinheiro'', afirma. Ele gosta de produtos variados, desde roupas e sapatos até eletroeletrônicos e móveis. ''Tenho duas amigas que sempre dizem que sou muito consumista'', brinca.
O jornalista esportivo Ademir Lobbo também é daqueles homens que não podem ver uma vitrine. Compulsivo por compras, ele diz que não pode ver dinheiro que já gasta. ''Não consigo me controlar. Às vezes, nem recebi o dinheiro ainda, mas já planejei no que vou gastar'', conta. Lobbo confessa que até já entrou em dívidas por conta de ser muito consumista: só perfume ele compra, pelo menos um frasco por mês, com valores médios de R$ 180 cada um.
O jornalista garante que não tem dó de gastar dinheiro e compra o que gosta, sem ligar para o preço. ''Eu gosto de coisa boa, e se tiver que pagar por isso, pago'', frisa. Os sapatos que compra, por exemplo, custam em média R$ 250. ''As mulheres também não pagam isso nos sapatos'', defende-se.
A compulsão não fica apenas em roupas e acessórios. Lobbo gosta de gastar também com tecnologia. Há pouco tempo comprou um celular que custa em média R$ 1,5 mil. O carro, um Audi A3, que comprou há poucos meses também entra na lista da compulsão. ''Estava planejando comprar depois que voltasse da Copa do Mundo - realizada em junho na Alemanha - mas não consegui. Entrou um dinheiro antes e eu acabei antecipando a compra'', disse.

mockup