Consumo em queda gera deflação na RMC
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 10 de maio de 2017
Aline Machado Parodi<br>Reportagem Local 
A Região Metropolitana de Curitiba (RMC) registrou deflação inflação negativa - em abril, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que divulgou nesta quarta-feira (10) o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (IPCA). A taxa da capital paranaense foi de -0,05%, enquanto em março a inflação ficou em 0,27%.
A inflação nacional fechou abril com variação de 0,14%, passando a acumular nos quatro primeiros meses do ano alta de 1,1%. Nos primeiros quatro meses de 2016 a inflação acumulada pelo IPCA foi de 3,25%. Nos últimos 12 meses está em 4,08%. Essa é a menor taxa em 12 meses desde os 3,74% de julho de 2007 e 0,83 ponto percentual inferior aos 4,57% acumulados nos doze meses encerrados em março.
O IPCA é calculado pelo IBGE desde 1980, abrange famílias com rendimento de até 40 salários-mínimos e envolve dez regiões metropolitanas do País, além de Goiânia, Campo Grande e Brasília. A queda de 0,11 ponto percentual de março para abril reflete o recuo dos preços da energia elétrica e dos combustíveis. Segundo o IBGE, no caso da energia elétrica os preços caíram 6,39%, enquanto os preços dos combustíveis tiveram redução de 1,95%.
Com a redução no preço da energia elétrica, as despesas com o grupo habitação caíram de março para abril para menos 1,09%, ocorrendo deflação. Assim, o item habitação ficou tanto com a mais expressiva queda por grupo quanto com o mais significativo impacto.
Já a queda no preço dos combustíveis fez com que o grupo transporte também fechasse com deflação de 0,06%. O litro da gasolina ficou 1,75% mais barato, e o etanol, 3,33%. Houve no grupo pressão das passagens aéreas, com alta de 15,48%, e dos ônibus urbanos: 0,69%.

Queda irreal
Na Região Metropolitana de Curitiba, a habitação liderou a queda. Enquanto que os grupos de saúde e cuidados pessoais; vestuário; e alimentação e bebidas impulsionaram a alta. O economista Márcio Luis Massaro, coordenador do curso de Administração e Ciências Contábeis da Faculdade Paranaense (Faccar), avalia que essas pequenas quedas de preço ainda não são motivos de comemorações.
"Uma deflação é quase pior que uma inflação, pois não é uma queda sustentável de preços", afirma. Ele comenta que a redução dos preços foi pontual e denota um cenário de vendas baixas, de uma falta de consumo. "É uma queda irreal. Não dá para comemorar muito isso", pontua.
Na casa da manicure Mara Teixeira, de 49 anos, a ordem é economizar. A família só compra o essencial para poder manter as contas em dia. "Não consumimos mais nada. Só o essencial. Você só vê as coisas aumentarem dia a dia. A única redução que percebi esse mês foi na conta de energia elétrica", reclama.
O panfleteiro Jessé Landislau dos Santos, de 32 anos, também se queixa do custo de vida. "Está difícil até para sobreviver. Ninguém está comprando mais nada. Está tudo parado", constata. Santos está sem carteira assinada há mais de um ano, e com as contas de água e energia elétrica atrasadas.

Medicamentos sobem, aluguel e combustível caem
De modo geral, a redução do IPCA é avaliado como positiva pelo diretor do Centro Estadual de Estatísticas, do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes), Francisco José Gouveia de Castro. "A queda da inflação e das taxas de juros é sinal das condições macros do País e isso engloba a Região Metropolitana de Curitiba", avalia Castro.
Segundo ele, a retração do valor dos alugueis e do preço dos combustíveis teve peso maior nesta inflação negativa. Por outro lado, a sazonalidade da capital paranaense, de ser uma cidade mais fria, impacta nos grupos de vestuário e alimentação. "O segmento hortifrutigranjeiro tem esse movimento de sazonalidade que aumenta os preços por conta do clima. Mesma situação vivida pelo vestuário", ressalta o diretor do Ipardes.
O grupo de saúde e cuidados pessoais (1,46%) apresentou inflação, principalmente puxada pela alta dos medicamentos. "Os medicamentos têm uma sensibilidade muito forte ao câmbio, o que faz com que tenham uma volatilidade maior", explica Castro.
A artesã Jéssica Fernandes de Oliveira, de 24 anos, sentiu no bolso essa volatilidade dos preços. "Os remédios estão muito caros. Já estou até pensando em fazer uma horta em casa para plantar ervas medicinais, porque não dá mais para comprar remédio", relata.
Os preços dos medicamentos aumentaram 1,95%, gerando impacto de 0,07 ponto percentual na taxa nacional. Em alimentação e bebidas, a variação de 0,58% refletiu aumento nos preços de vários produtos, como tomate (29,02%) e batata-inglesa (20,81%). Em contraposição aos itens anteriores, alguns produtos, como óleo de soja (-4,17%) e arroz (-1,69%), ficaram mais baratos. (A.M.P. com Agência Estado)


