São Paulo - O varejo deixou para trás o período em que só crescia para recuperar as perdas com a crise de 2008. As vendas estão ganhando terreno e devem encerrar 2010 com a maior taxa desde 2007, quando cresceram 9,6%. Analistas avaliam que o comércio varejista crescerá sobre uma base sólida, podendo chegar ao final de 2010 acima de 11%. Isso deverá levar as redes varejistas a um recorde de vendas, o que demandará mais contratações e maior numero de pedidos à indústria.
Estas previsões estão firmadas sobre três condicionantes: mercado de trabalho e renda, crédito e confiança do consumidor. Por ordem de importância, o mercado de trabalho e renda é o que mais tem sustentado o consumo das famílias, responsável por cerca de 63% do Produto Interno Bruto (PIB), de acordo com o economista-chefe da MB Associados, Sérgio Vale.
Conta feita pelo economista da Tendências Consultoria Integrada Bernardo Wjunisk aponta uma expansão de 6,3% da massa salarial. ''Essa tendência de crescimento não deve mudar'', acrescenta o economista. Ele prevê as vendas deste ano 11% maiores que no ano passado. O crédito também continuará a sustentar as vendas. A previsão é de que a concessão de novos empréstimos cresça de 19% a 20%. Mesmo com o aumento da taxa de juros, as operações de crédito devem superar o total de 2009.
A terceira perna do tripé é a confiança do consumidor. Otimista com as condições de emprego, renda e oferta de crédito, o consumidor se sente mais seguro na hora de contrair crédito, mesmo com juros mais altos. Segundo a Fundação Getúlio Vargas (FGV), em maio o Índice de Confiança do Consumidor (ICC) subiu 0,6% em relação a abril, na série com ajuste sazonal.
Do lado do varejo, a confiança também tem crescido. Em maio, o Índice Fecap de Expectativas nos Negócios (Ifecap) da Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado (Fecap) cresceu 3,4% sobre abril. Segundo o coordenador do índice, André Chagas, o dado de maio é o mais alto desde março de 2004 e supera o recorde anterior, de junho de 2007. Para Chagas, o crescimento das expectativas indica que os empresários acreditam que os aumentos de juros não serão capazes de influenciar negativamente o comportamento do varejo.
Chagas acha que as vendas podem crescer de 11% a 12% porque, embora não tenha feito projeções, ele recorre a um fator de elasticidade de 1,5 a 2 vezes sobre o crescimento previsto do PIB. Ou seja, se a economia crescer de 5,5% a 6%, as vendas poderão se expandir de 11% a 12%. Para ele, até as eleições, as vendas estão contratadas. O coordenador do Ifecap acrescenta que mais importante que o juro nominal para o varejo são os spreads dos bancos. Do primeiro aumento em abril até o final do ciclo, espera-se que a Selic suba três pontos.

mockup