César AugustoRosângela: disparada de preçosA auxiliar de cartório Rosângela Graciano parou de comprar desde o aumento dos juros. ‘‘Fui comprar roupas para meus dois filhos pequenos e os preços já tinham subido. Então resolvi esperar para ver o que vai acontecer’’, disse. Ela conta que, por ser comissionada, já sentiu os reflexos da alta em seu salário. ‘‘Faço procurações e escrituras e os negócios de compra e venda de carros e imóveis diminuíram em Londrina’’. A queda começou em agosto, intensificando-se neste mês, segundo ela.
Gislene Romero, dona-de-casa, diz estar assustada com as notícias veiculadas pela imprensa. ‘‘Passei a comprar apenas o necessário, dando preferência para os pagamentos à vista’’, conta. O engenheiro agrônomo Nei Domiciano está comprando normalmente. ‘‘Mas procuro levar sempre as mercadorias mais baratas, desde que tenham qualidade. Não deixei de comprar iogurte, por exemplo, mas escolho o que tiver preço melhor’’, exemplifica.
Consumidora contumaz, a gerente Editânia Basseto calcula estar há dez dias sem comprar nada no comércio. ‘‘Sempre costumo adquirir produtos novos. Toda semana compro uma calça, blusa ou um sapato diferente’’, diz ela. ‘‘Mas a alta dos juros me deixou com o pé atrás’’. Editânia admite, porém, que não sabe se vai aguentar outros 15 dias sem entrar numa loja. (C.L.)

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