Consumo e crédito permitem reação
Warren NabucoRetornoFuncionários começam a ocupar novamente as fábricas que, antes do Real, empregavam até 12 mil pessoasO setor de confecções da região de Cianorte (70 quilômetros a oeste de Maringá), um dos principais pólos de confecções do Estado, vem retomando sua produção aos poucos. A melhora começou no final do ano passado. Alguns empresários dizem ter sentido um incremento nas vendas de 30% no primeiro quadrimestre deste ano em relação ao mesmo período do ano passado. Mesmo assim, a situação não é a mesma de antes da implantação do Plano Real, quando o setor oferecia 12 mil empregos diretos na região.
Atualmente, as indústrias de confecções geram cerca de sete mil empregos diretos, segundo Alberto Nabhan, presidente da Associação das Indústrias de Confecções e Vestuário de Cianorte. Cinco mil postos de trabalhos foram fechados nos últimos três anos. Agora, com a retomada da produção, as empresas abriram 500 vagas. Ainda estão longe da oferta de trabalho do período anterior ao Real, mas já têm fôlego novo.
O número de indústrias também diminuiu nos últimos anos. Em 94, eram 530 fábricas. Hoje, estão estabelecidas 280. O setor tem peso importante na economia da região: é responsável por 60% da arrecadação de ICMS local.
Segundo Nabhan, 35 empresas começaram a ter novo ânimo para investir há um ano, quando o governo do Estado liberou, através do Banestado, US$ 1 milhão para a compra de matéria-prima. Como não houve inadimplência, e todo mundo já pagou o empréstimo, na semana passada estivemos em Curitiba para tentar conseguir a liberação de mais um US$ 1 milhão, conta. Ele diz que 28 empresas também tiveram acesso a uma linha de crédito específica para confeccionistas - para financiamento de até R$ 90 mil, liberada em dezembro pelo BRDE - Banco Regional de Desenvolvimento Econômico. O crédito serve para compra de maquinário e capital de giro.
A abertura de linhas de crédito está ajudando a alavancar o setor. Com dinheiro para aumentar a produção, melhorar a qualidade e desenvolver novos produtos, o crescimento nas vendas é consequência, diz Nabhan. Segundo ele, o alto preço da mão-de-obra em São Paulo acabou refletindo no aumento dos pedidos de serviços de terceiros na região.
O perfil dos compradores também mudou. Antes do Plano Real, a cidade era invadida por sacoleiras, recebendo de 30 a 40 ônibus de excursões diariamente. Em meados de 95, no auge da crise, este número caiu para cinco ônibus por dia. Nabhan diz que as excursões voltaram a crescer. Atualmente, recebemos entre dez e 15 excursões por dia, entre ônibus e carros de passeio, diz. A diferença é que 90% dos compradores são lojistas. É um cliente de qualidade, que paga suas contas. A inadimplência no setor não chega a 2%. (C.L.)





