Curitiba - Apesar do aumento das exportações brasileiras de carne nos últimos anos, estimativas do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) apontam que o principal fator para o crescimento desse tipo de produção no Brasil será o mercado interno.
  O consumo de carne de frango pelos brasileiros previsto para este ano será de 68,3% do total produzido no País, enquanto esses percentuais para bovina e suína serão de 84,8% e 85,4%, respectivamente.
  ‘‘Embora o Brasil seja, em geral, um grande exportador para vários desses produtos, o consumo interno é predominante no destino da produção. Continuaremos entre os principais exportadores e consumidores de carne do mundo nos próximos anos’’, afirmou o coordenador de Planejamento Estratégico do Mapa, José Garcia Gasques.
  A expectativa é que a produção nacional de carne de frango passe de 13,2 milhões de toneladas na safra atual para até 23,7 milhões de toneladas em dez anos, o que representa alta de 79,2%. No caso da bovina, deve passar de 8,4 milhões de toneladas para até 13,6 milhões de toneladas (61,5% de aumento), enquanto a suína pode aumentar de 3,3 milhões de toneladas para até 5,3 milhões de toneladas (+ 56,2%). O Ministério da Agricultura informou que não tem dados regionais a respeito deste assunto.
  O presidente do Sindicato da Indústria de Carnes e Derivados no Estado do Paraná (Sindicarne-PR), Péricles Salazar, prevê que o consumo interno de carne vai crescer alavancado até pela ascensão de novas classes sociais. Ele também acredita em crescimento do consumo per capita das proteínas animais. Para Salazar, não há como prever a forma que se comportarão os preços nos próximos anos, mas a produção terá que aumentar em função da demanda maior.
  Segundo ele, neste ano, nada mostra que vai haver aumento de preços para o consumidor final. De acordo com o presidente do Sindicarne, as empresas estão com uma menor taxa de ociosidade. Ele acredita que a produção prevista para este ano no Paraná ficará no mesmo patamar de 2012, quando foram produzidas 223 mil toneladas de carne bovina.
  O técnico da área de pecuária de corte e leite do Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria Estadual de Agricultura (Seab), Fábio Mezzadri, também acredita em estabilidade na produção para este ano.
  Mezzadri avalia que, com o aumento da oferta de carne nos próximos anos, os preços podem diminuir. No curto prazo, ou seja, na entressafra, pode aumentar os preços a partir de maio no Paraná. No ano passado, o Paraná produziu 593 mil toneladas de suínos e 2,807 milhões de toneladas de frango de corte. (Colaboraram Mie Francine Chiba e Ricardo Maia/Reportagem Local)

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