Rio de Janeiro - O Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro cresceu 5,8% no primeiro trimestre de 2008 em relação a igual período de 2007, com forte aceleração do consumo do governo, e a continuidade da tendência de expansão dos impostos em ritmo bem mais rápido do que o valor agregado na produção. O PIB e a demanda do primeiro trimestre deram leves sinais de desaceleração ante o último de 2007.
Num trimestre em que a indústria e os investimentos foram os destaques positivos, e no qual o déficit externo disparou, chamou a atenção o crescimento de 4,5% no consumo do governo, comparado ao último trimestre de 2007, em termos dessazonalizados - o maior crescimento do indicador da série do PIB, iniciada em 1996. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) considerou que uma das principais causas do aumento são as eleições municipais.
Na comparação dessazonalizada com o trimestre anterior, o consumo do governo foi o item do PIB do primeiro trimestre que mais cresceu pelo lado da demanda - o consumo das famílias teve expansão de 0,3%, e os investimentos, de 1,3%. Anualizando-se esses resultados, o consumo do governo cresceu 19,25%; o consumo das famílias, 1,3%; e os investimentos, 5,3%.
''Como é ano eleitoral, houve aumento dos gastos públicos, especialmente de Estados e municípios'', observou Rebeca Palis, gerente de Contas Nacionais Trimestrais do IBGE. Rebeca explicou que, pelo fato de serem municipais, as eleições têm mais impacto nos gastos de Estados e municípios. São um estímulo à construção civil, com o aumento das obras públicas. Além disso, as eleições levam os governos a ampliar os gastos no primeiro semestre, já que, a partir de 5 de julho, vigoram a proibição de transferências voluntárias entre os níveis da União e de algumas formas de contratação de pessoal.
O IBGE mostrou, ainda, que os impostos vêm crescendo bem mais do que o valor agregado à produção, numa tendência que já dura alguns anos, captada na série encadeada de quatro trimestres do crescimento do PIB - os impostos aumentaram 9,4%, e o valor agregado, 5,2%. Para o IBGE, a causa é o forte crescimento do consumo de bens nos quais incidem muitos impostos, como os importados em geral e os automóveis.
Apesar da aceleração mostrada na comparação entre o primeiro trimestre e o último do ano passado, o consumo do governo ainda fica atrás dos outros principais componentes da demanda quando a base de comparação é o primeiro trimestre de 2007. Nesse critério, o consumo do governo cresceu 5,8%; o consumo das famílias, 6,6%; e os investimentos, 15,2%.
Roberto Olinto, coordenador de Contas Nacionais do IBGE, explica que a comparação com o mesmo trimestre do ano anterior é uma medida melhor da tendência do crescimento, enquanto a comparação dessazonalizada com o trimestre anterior mostra a aceleração, ou as variações do crescimento no curto prazo. Na série encadeada de quatro trimestres, que dá uma noção ainda melhor de longo prazo, fica claro que o PIB tem sido puxado pelo consumo das famílias, que cresceu 6,7%, e pelos investimentos, com 14,9%. Nesse critério, a alta do consumo do governo cai para 3,6%.

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