Curitiba - O consumo das famílias paranaenses em 2014 deve atingir R$ 107,19 bilhões, montante 10% maior que no ano passado. Esse valor representa 7% da demanda de consumo do Brasil. Os dados fazem parte de uma pesquisa realizada pelo Ibope Inteligência. Neste ano, cada habitante do Estado gastará R$ 11.375, em média, contra R$ 10.338 em 2013.
O principal gasto será com automóvel particular, que considera desembolsos com serviços e manutenção, aquisição de veículos e combustíveis e é estimado em R$ 21,65 bilhões. Na sequência aparecem os gastos com alimentação no domicílio (R$ 16,49 bilhões), material de construção (R$ 9,23 bilhões) e vestuário (R$ 9,20 bilhões).
O construtor Francisco Nunes Taio é um dos paranaenses que tem gastos com carro. Ele tem uma picape Strada e um Honda Civic. Só de combustível são R$ 500 por mês. "Acabo gastando mais com carro do que com alimentação", confessa. Na semana passada, por exemplo, ele trocou os dois pneus da frente da Strada e gastou R$ 600.
O diretor geral da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores - Regional Paraná (Fenabrave-PR), Luís Antônio Sebben, diz que nestes gastos com automóvel contam vários itens que envolvem desde a aquisição, IPVA, combustível, manutenção, óleo, pneus, lavagem, entre outros. Além disso, ele lembra que o consumidor gasta com estacionamento na rua e até com aluguel de garagem em casa, quando precisa de mais de uma vaga para quem mora em apartamento. Ainda há gastos com som e sistemas multimídia. Apesar das despesas, ele acredita que isso não tem atrapalhado o sonho do cliente de comprar um carro novo.
O assessor econômico da Associação Comercial do Paraná (ACP), Cláudio Shimoyama, confirma que os segmentos de automóvel, alimentação, material de construção e vestuário são mesmo os principais que formam o consumo do paranaense. "O que mais pesa é a manutenção do carro", afirma.
Segundo ele, material de construção vem tendo uma boa participação com os incentivos que o governo federal concedeu. "Casa e carro são os objetivos principais da família, seja uma nova casa ou mesmo a reforma", acrescenta. A alimentação também é um dos itens que mais vem crescendo. Shimoyama destaca que o aumento do poder aquisitivo da classe C tem impulsionado as vendas em supermercados.
Já o presidente da Federação do Comércio do Paraná (Fecomércio-PR), Darci Piana, acredita ser difícil atingir o crescimento de 10% nos gastos dos paranaenses este ano, já que a tendência é de manutenção na redução das vendas do varejo. Em julho, o comércio paranaense teve redução de 8,7% nas vendas em relação ao mesmo período do ano passado. Ele destaca ainda que a inadimplência e os juros continuam altos, o que acaba inibindo o consumo.
No ano passado, as vendas do Paraná cresceram 7,5%. Para este ano, Piana prevê que o comércio tenha crescimento de 4% a 5% e, portanto, percentual menor que em 2013.

Imagem ilustrativa da imagem Consumo deve atingir R$ 100 bi no Paraná em 2014