Josoé de CarvalhoOpção pelo naturalConsumidor preza alimentos naturais. Estatística aponta crescimento da procura pelo suco A estabilidade da economia facilitou o que o comércio chama de explosão do consumo de suco de laranja pasteurizado, em embalagem pronta para tomar. O consumo de suco pronto, embalado e colocado nas prateleiras de supermercados, aumentou de 65 milhões de litros no ano passado, para 100 milhões de litros, esse ano.
O fenômeno ocorreu mais em função da entrada de grandes companhias do ramo de alimentação que se associaram às indústrias de suco concentrado para o fornecimento de matéria-prima, dentro das especificações estabelecidas por elas.
O mercado de suco pronto para beber ganhou força com a grande rede de distribuição e marketing das indústrias de alimentos, que souberam identificar um nicho de mercado para atender o consumidor de classe média e classe média alta, com a oferta de um produto com a mesma qualidade do produto exportado, explicou Ademerval Garcia, presidente da Abecitrus - Associação Brasileira dos Exportadores de Cítricos. O mercado tem um espaço enorme para ser ocupado e pode manter esta taxa de crescimento nos próximos três anos.
No Paraná, a Cooperativa Central de Laticínios do Paraná (CCPL), fabricante dos produtos Batavo, colocou no mercado o suco de laranja em embalagem Tetra Rex, pasteurizado, 100% natural, pronto para ser consumido. Ela distribui e empresa a marca para o produto, mas o suco é produzido pela empresa Hildebrand Alimentos, do município paulista de São Carlos.
A Batavo entrou no mercado de sucos naturais embalada no crescimento do mercado interno, desde 1994. A avaliação da empresa é que o mercado já está absorvendo cerca de 87 milhões de litros, o que representa um importande filão a ser explorado. As vendas do suco de laranja da Batavo estão concentradas na região Sul com a distribuição de 500 mil litros por mês.
Com a ampliação do mercado consumidor a empresa pretende ampliar essa produção para 1 milhão de litros por mês. Com a expansão a idéia é criar o hábito de consumo de frutas dentro do próprio estado e regiões Sul e Centro-Oeste. Segundo A Abecitros estas são as regiões que apresentam maior ‘‘densidade de consumo’’ favorecidas pelo clima.
Segundo Ademerval Garcia, da Abecitrus, dentro de 5 anos no máximo todas as grandes indústrias leiteiras do país estarão distribuindo o suco de laranja. Essa movimentação já iniciou com a multinacional italiana Parmalat, depois com a francesa Danone, a suiça Nestlé e a Santista Alimentos. A tendência segue o mercado mundial de alimentos onde as grandes empresas associam a produção e distribuição de leite e suco de laranja, por serem produtos similares na preferência do consumidor.
O consumo de sucos de frutas em geral tende a aumentar no Brasil e no Mercosul. A moderna tecnologia de embalagem que favore o transporte e conservação do produto natural, sem conservantes químicos, é um dos fatores favoráveis ao aumento do consumo de sucos naturais. Outro fator é o crescimento da tendência naturalista que inclui a substituição dos refrigerantes tradicionais - fabricados com metodologia convencional - que incorpora elementos químicos e açúcar comum. Como alternativa para os refrigerantes convencionais, o suco de laranja é a melhor saída.
Produção das cooperativas No Paraná, a Cocamar, a primeira cooperativa que abraçou a causa da citricultura desde 1987, vislumbrando uma nova atividade para a região Noroeste, está sendo beneficiada pela expansão do consumo de suco de laranja. Ela vai produzir nesta safra 10 mil toneladas de suco concentrado, contra 5 mil toneladas produzidas no ano passado, devendo faturar cerca de R$ 18,5 milhões.
Segundo Paulo Andrade, do Deral, a Cocamar exporta cerca de 85% da produção de suco, mas o restante que comercializa no mercado interno está trazendo uma boa receita,inclusive com a comercialização do fruto in natura que também coloca no mercado, acescentou Andrade.
A elevação na produção de suco se deve ao aumento de 11% na produção de laranja in natura no Paraná, que este ano deverá ser de 204.103 toneladas. A área plantada também subiu 11%, saltando de 9.798 hectares no ano passado, para 10.990 hectares esse ano.
Segundo Paulo Andrade, a maior parte dos pomares implantados de 1988 para cá está no ápice do pontecial produtivo. Principalmente na região Noroeste onde estão localizados os pomares vinculadas às cooperativas, a tendência do plantio é aumentar ainda mais. A cultura está sendo favorecida com a dispobinibilidade de mão-de-obra que era empregada na cultura do algodão e agora está migrando para a laranja.
Atualmente, 210 produtores do Noroeste cultivam 7 mil hectares de pomares, que estão produzindo 142 mil toneladas de laranja. Para os próximos anos a expectativa é atingir a produção de 408 mil toneladas anuais, com a incorporação de mais 5 mil hectares de pomares. O parque industrial, com capacidade atual para esmagar 142 mil toneladas de frutas este ano, está sendo ampliado para processar 204 mil toneladas a partir de junho.

mockup