Consumo de orgânicos ainda é baixo em Londrina
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quarta-feira, 24 de setembro de 2003
Carolina Avansini<br>Reportagem Local 
Preço alto, pouca variedade e oferta inconstante inibem o consumo de produtos orgânicos em Londrina. Gerentes e funcionários de supermercados ouvidos pela Folha foram unânimes ao afirmar que, na cidade, são baixas as vendas de legumes, verduras, frutas e cereais livres de agrotóxicos e adubos químicos.
A dificuldade é confirmada por Eliane Ferreira, coordenadora administrativa da Associação de Produtores Orgânicos de Londrina e Região (Apol). Segundo ela, os agricultores não conseguem ofertar variedade e constância porque cultivam em pequenas e médias propriedades. O preço e a falta de informação sobre os benefícios de uma alimentação saudável também dificultam o giro das mercadorias.
Os alimentos orgânicos chegam a custar 30% mais que os produzidos no sistema convencional. ''Os consumidores comparam o preço e levam o mais barato. Pouca gente sabe que os orgânicos são produzidos sem produtos químicos e por isso custam mais'', comentou João Luiz Tibério, gerente do Condor. Ele já trabalhou em unidades da empresa de outros municípios e confirmou que a demanda de Londrina é menor com relação a outras cidades.
No Viscardi, o consumo também é inibido pelo preço do produto. O auxiliar de compras Enilton Pereira da Silva comentou que a empresa oferece as mercadorias para criar espaço nesse mercado, mas pouca gente compra os alimentos. ''A procura é baixa, mas a tendência é crescer'', considerou.
Outro fator que influencia a oferta, nos supermercados, é a dificuldade em adquirir os produtos. ''É complicado encontrar oferta em determinadas épocas do ano'', disse o encarregado de hortifrutigranjeiros do Fatão, Leandro de Souza. Além disso, a mercadoria não tem venda fácil. A clientela, na maior parte das vezes, é formada por pessoas de classe média alta, preocupadas com a saúde e informadas sobre a origem dos alimentos orgânicos.
Apesar dessa tendência, mesmo os frequentadores do Mercado Municipal do Shangri-lá localizado em região de maior poder aquisitivo não dão preferência aos produtos livres de agroquímicos. Yukio Onishe, que vende hortifrutigranjeiros no local, informou que só oferece os alimentos na loja porque o fornecedor traz até ele. ''As pessoas não estão acostumadas'', disse.
Como consequência da falta de oferta, os consumidores que fazem questão de comprar alimentos orgânicos encontram dificuldade para encontrar a mercadoria. É o caso da dona de casa Iraci Siqueira, que percorre supermercados e lojas especializadas para garantir o cardápio de todos os dias. ''É caro e difícil de encontrar. Um quilo de tomate, por exemplo, custa R$ 6,00.''
Shirley Obara, atacadista de produtos orgânicos em Londrina, concorda que a variedade e a constância são restritas, mas garante que o mercado absorve todos os alimentos ofertados. ''Se tivesse mais, venderia com facilidade.'' Ela esclareceu que, nesse setor, nem todos os pedidos dos distribuidores são atendidos, pois o produtor só entrega o que tem disponível na época.


