Consumo de luz cresce uma Maringá por ano
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quarta-feira, 15 de março de 2006
Andréa Bertoldi<br>Equipe da Folha 
Curitiba- O mercado de energia elétrica abastecido diretamente pela Copel teve um crescimento de 3,6% em 2005 em comparação com o ano anterior. A estatal vendeu 18.696 GWh (gigawatts-horas) em 2005 contra 18.040 GWh em 2004. Este consumo adicional equivale ao de uma cidade como Maringá, na qual existem mais de 120 mil ligações de energia elétrica atendidas. O faturamento que foi obtido com o aumento do consumo por parte dos clientes da Copel só será conhecido no final de março, data prevista para a divulgação do balanço de 2005.
A fatia de clientes que apresentou maior crescimento em termos porcentuais foi o setor comercial (6,8%). Este segmento representa 17,3% do mercado consumidor da companhia. Segundo os analistas da Copel, o bom desempenho do setor ocorreu devido ao aumento nas operações de crédito para pessoas físicas e ao crescimento do número de estabelecimentos ligados, entre eles, centros comerciais e outras instalações de grande porte com alto padrão de consumo.
O supervisor técnico do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese), Cid Cordeiro, lembrou que o comércio teve queda de 0,97% nas vendas em 2005 e que, o aumento de consumo de energia por este segmento deve estar ligado a entrada de novos consumidores no mercado.
A classe de consumidores rurais apresentou um crescimento de 5,2% no consumo de energia. A Copel atribui esse resultado a um aumento da renda do produtor decorrente das safras 2002-2003 e 2003-2004 e aumento na capacidade de compra de máquinas elétricas e de aparelhos domésticos. Cordeiro acredita que os dados destas duas safras são muito distantes para explicar o aumento do consumo de energia do setor rural em 2005.
O segmento residencial teve crescimento de 4,2% no consumo de energia. Esta classe responde por 25% do mercado da Copel. O consumo médio por domicílio no Paraná foi de 151,4 kWh-mês e teve um crescimento de 1,5% sobre o ano de 2004. Para a Copel, esta expansão pode ser atribuída ao maior movimento nas operações de crédito, que levaram o consumidor a adquirir mais aparelhos e equipamentos elétricos. Além disso, Cordeiro ressalta que, o crescimento da renda e do emprego, o aumento real do salário mínimo, a correção de 10% da tabela do Imposto de Renda e os reajustes salariais acima da inflação também contribuíram para que houvesse mais consumo de energia em 2005.
O consumo da classe industrial, considerando apenas o mercado cativo da Copel (consumidores que não fazem parte do mercado livre de energia) teve uma queda de 9,3%. Isso aconteceu devido à transferência, em abril de 2005, dos consumidores livres da Copel Distribuição para a Copel Geração por imposição legal da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Com isso, os consumidores livres têm que ser atendidos por geradoras. Agregando os consumidores livres, o consumo industrial total da Copel cresceu 1,8% em 2005.


