Guto Rocha
De Londrina
O aumento da demanda por óleo de girassol no Brasil cresceu cerca de 700% nos últimos cinco anos, passando de 10 mil toneladas consumidas em 93 para 82 mil toneladas no ano passado. No entanto, as indústrias que esmagam o grão trabalham na capacidade máxima. A maioria das indústrias ainda importa o óleo para envasar no País. Segundo o pesquisador da Embrapa Soja, de Londrina, Osvaldo Vasconcellos Vieira, estes dados mostram que a cultura do girassol é viável e garante incremento de renda ao produtores e indústrias.
Vieira afirma que o Brasil já detém tecnologia para produção do grão, e o único entrave, na sua opinião, é a falta de informação das indústrias sobre o potencial de mercado. Vieira participou do 1º Simpósio Nacional sobre a Cultura do Girassol e da 13ª Reunião Nacional de Pesquisa do grão, realizados nos dias 6 e 7 de outubro em Itumbiara (GO).
O pesquisador disse que os resultados apresentados pelos produtores de Goiás demonstram que a cultura é uma alternativa viável. Vieira disse que o custo de produção ficou em torno de US$ 169,00/hectare (R$ 330,00), com uma rentabilidade que variou entre R$ US$ 189,00 e US$ 295,00/ha. ‘‘São valores que remuneram bem’’, comentou. O custo de produção da soja, segundo o pesquisador, está em torno de US$ 298,00/ha (R$ 581,00) e o milho em US$ 283,00 (R$ 552,00).
O Brasil cultivou no ano passado 82 mil hectares, com uma produção de 123 mil toneladas de grão (para silagem, alimento de pássaros e produção de óleo. Goiás é o maior produtor de girassol, respondendo por 60% da oleaginosa. Segundo Vieira, esta concentração se deve à instalação de unidades de esmagamento da Caramuru Alimentos e da Cargil naquele estado.
O pesquisador afirmou que no ano passado, o Brasil importou 78,5 mil toneladas de óleo de girassol. ‘‘Isso é equivalente ao plantio de 150 mil hectares do grão’’, disse. No Paraná, o cultivo do grão é bastante incipiente, segundo o pesquisador. No ano passado, comentou, 28 produtores da região de Cambará cultivaram cerca de 400 ha, com uma produção média entre 1,1 mil kg e 1,4 mil quilos/ha. ‘‘Mas a produção foi destinada para alimentação de pássaros’’, afirmou.
O gerente geral de suprimentos e matéria-prima da Caramuru Alimentos, Davi Eduardo Depine, disse que o volume de girassol produzido no Brasil não justifica a criação de indústrias específicas para o processamento do produto. ‘‘Hoje é necessário uma refinaria que processe outro produto, como o milho, para valer a pena esmagar o girassol’’, afirmou. Depine disse que a Caramuru investiu R$ 6 milhões em uma unidade que processa gérmen de milho, que também é utilizada para produção de óleo de girassol.
A Cocamar, de Maringá, importa óleo de girassol para envasar na sua unidade. Segundo o assistente comercial da Cocamar, Antônio Loydi Júnior, a cooperativa importa o produto porque não há disponibilidade de matéria-prima na região. Ele observou no entanto, que também há uma limitação técnica na indústria, que precisaria passar por adequações para processar o óleo de girassol.
Loydi Júnior afirmou que com a desvalorização do real frente ao dólar o produto importado encareceu, mas a cooperativa manteve a importação. ‘‘O mercado consumidor não absorveu a alta, mas não podemos deixar de ofertar o produto que já está consolidado’’, comentou. Ele não revelou o volume que a cooperativa importa.

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