Consumo de fertilizantes cresce 39% em quatro anos
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segunda-feira, 19 de maio de 2003
Carolina Avansini<br> Reportagem Local 
A comercialização de fertilizantes no Brasil aumentou 39% entre 1999 e 2002. A informação é da Associação Nacional para Difusão de Adubos (ANDA), que revelou ainda que o volume consumido, no período, passou de 13,7 milhões de toneladas para 19,1 milhões de toneladas. ''Esse número é um importante indicador sobre o crescimento da utilização de tecnologia no País'', analisou a engenheira agrônoma Margorete Demarchi, do Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria de Agricultura e Abastecimento (Seab).
O resultado do maior investimento em fertilizantes reflete nos ganhos em produtividade. Enquanto a área brasileira de grãos cresceu 13% no período, passando de 38 milhões de hectares (ha) para 43 milhões de ha, a produção teve incremento de 39%, saindo de 83 milhões de toneladas para 115 milhões.
''As safras recordes obtidas nos últimos anos decorrem principalmente de ganhos em produtividade, e não de área'', disse. A expectativa para esse ano é de que haja mais aumento no consumo, pois, apenas no primeiro bimestre de 2003, as vendas cresceram aproximadamente 20% em relação ao igual período do ano passado.
Apesar da ANDA não ter divulgado o incremento no consumo de fertilizantes nos estados, Margorete afirmou que o Paraná acompanha a tendência nacional. O crescimento da produtividade média do Estado, segundo ela, indica os ganhos em tecnologia.
No início da década de 90, o Estado produzia 12 milhões de toneladas de grãos em 7,3 milhões de ha, considerando as safras de verão e inverno. Na safra 2002/2003, a expectativa é atingir 27 milhões de toneladas em 8,5 milhões de ha. ''Enquanto a área cresceu 16%, a produção aumentou 125%'', comparou. A performance paranaense supera a média nacional do período, já que a produção brasileira cresceu 98% ante 10% de aumento na área cultivada.
Flávio Turra, engenheiro agrônomo do Sindicato e Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar), atribui a conjuntura não só à melhor utilização de tecnologia, mas também à profissionalização do produtor. De acordo com o analista, a produtividade paranaense aumentou 96% nos últimos 13 anos, pasando de 1,66 mil quilos de grãos por ha para 3,25 mil quilos. ''A produtividade da soja, hoje, é de 3,1 mil quilos por ha. O índice supera a média americana'', lembrou.
Ele considera que ainda há espaço para melhorar o desempenho do Estado, principalmente com relação ao milho. ''É preciso aumentar a tecnologia utilizada, inclusive para atender as exigências mercado externo'', afirmou, acrescentando que as recentes exportações trouxeram uma nova realidade à cultura. ''Como o milho passou a ter cotação em dólar, há garantia de preço. Isso traz segurança para o produtor investir''.
Turra comentou que alguns produtores paranaenses utilizam áreas menos favoráveis para produzir milho, o que prejudica a produtividade por causa das limitações de fertilidade. ''Além disso, tem muita lavoura cultivada com equipamentos manuais.''


