O PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro teve leve aumento de 0,1% no terceiro trimestre deste ano em relação aos três meses imediatamente anteriores, abaixo do 0,3% que analistas de mercado esperavam. No entanto, o aumento de 1,2% no consumo de famílias e de 1,6% nos investimentos em máquinas e equipamentos entre os mesmos períodos indicam uma perspectiva de retomada para os meses seguintes, o que consolida o fim das retrações na geração de riquezas do País. Os números foram divulgados na sexta-feira, 1º, pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
Foi a terceira alta consecutiva. Quando comparado com o terceiro trimestre de 2016, o resultado deste ano foi 1,4% maior. A variação positiva do PIB está em 0,6% no acumulado nos três primeiros trimestres do ano, ante igual período de 2016.
Por setor, a agropecuária registrou queda de 3%, enquanto houve altas de 0,8% na indústria e de 0,6% em serviços. A coordenadora de Contas Nacionais do IBGE, Rebeca Palis, afirma que a perda de fôlego do agronegócio no segundo semestre é normal, já que as principais safras são colhidas no verão e que problemas sazonais influenciaram a cultura de cana-de-açúcar e de café, bastante relevantes no período.
Quando comparados o terceiro trimestre deste ano e o mesmo período de 2016, houve avanços na produção de milho (54,9%), algodão (10,7%) e laranja (0,1%). Porém, ocorreram perdas na cana (-6,8%) e no café (-7,9%). A pesquisadora do IBGE afirma que, mesmo assim, a agropecuária continua como o grande destaque da economia no ano. No acumulado em 2017, a produção no campo segue como único componente com variação positiva, de 14,5%, diante dos encolhimentos de 0,2% de serviços e de 0,9% da indústria. "O PIB só está positivo por causa da agropecuária", diz Palis.

Imagem ilustrativa da imagem Consumo de famílias e investimentos são alento em PIB fraco



SINAIS POSITIVOS
É mesmo o avanço dos investimentos e do consumo das famílias, contudo, que fazem com que analistas enxerguem um panorama melhor para a geração absoluta de riquezas do País. A formação bruta de capital fixo cresceu 1,6% em três meses, na primeira variação para cima após quase quatro anos. "Depois de 15 trimestres de queda tem uma base de comparação muito deprimida", diz a pesquisadora do IBGE.
Como a construção civil continua em queda, o destaque foram os bens de capital, que indicam uma percepção no setor industrial de que as vendas e o consumo crescerão. Palis destaca que houve avanço até mesmo na produção de caminhões e ônibus. "A queda dos juros, já há bastante tempo, também influencia muito nessa parte de investimentos", completa a pesquisadora.
No caso da demanda das famílias, ela diz que a liberação do FGTS ainda no primeiro semestre teve um efeito cumulativo, aliado à leve melhora no mercado de trabalho, à baixa inflação e à maior demanda por crédito com a redução dos juros.
O economista Roberto Zurcher, da Fiep (Federação das Indústrias do Estado do Paraná), considera fraco o resultado divulgado, mas diz que o último trimestre do ano é o melhor em geração de PIB. "Comparativamente, o terceiro trimestre deste ano já foi superior ao quarto trimestre de 2016, então há espaço para crescermos mais um pouco neste ano."
Zurcher lembra que o início do segundo semestre é quando a indústria se destaca, com a produção de bens para que o comércio venda nos últimos meses e assuma o protagonismo no período. "Depois das quedas dos últimos anos, crescer 0,1% em um trimestre não significa nem subir um degrau, mas é uma reação lenta e esperada porque não temos medidas macroeconômicas que possam indicar um caminho diferente."
No momento, o economista da Fiep considera que o resultado seja mais pelas sucessivas reduções nas taxas de juros. "A flexibilização do trabalho só terá efeitos em 2018, porque as empresas ainda estudam como usá-la para ganhar produtividade e demora de seis a nove meses para que os reflexos no setor produtivo deem resultado."
O presidente do Ipardes (Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social), Julio Suzuki Júnior, afirma que a variação do PIB abaixo do que o mercado esperava revela que a recuperação econômica exige mais contrapartidas por parte do governo. "O País necessita de uma reforma tributária, outras administrativa, mas o que é mais premente é a previdenciária."
O Ipardes deve soltar nos próximos dias os resultados do PIB paranaense e Suzuki prevê um crescimento maior do que o País. "Tivemos alta de 1,6% nos dois primeiros semestres, então com certeza esperamos um número melhor", cita, ao projetar aumento de ao menos 2% no ano no Estado.

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