As empresas do setor elétrico das regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste do País pretendem instalar, já neste ano, dispositivos para controlar a demanda de energia nas residências. O dispositivo, que será instalado nas caixas de luz, estará programado para aceitar somente uma determinada sobrecarga de consumo durante o horário de pico. Qualquer dose extra de consumo, como a ligação de um chuveiro elétrico, será cortada. A previsão é que sejam instalados, até dezembro, cerca de 300 mil controladores de demanda.
A medida é uma alternativa emergencial para tentar evitar o esgotamento do sistema de fornecimento de energia. Nos últimos meses, vários municípios sofreram blecautes por insuficiência de capacidade do sistema, que há algum tempo vem operando com seu potencial máximo de distribuição. Como a construção de novas usinas hidrelétricas para aumentar a capacidade de geração é uma solução apenas a longo prazo, a intenção é forçar a redução de consumo residencial durante o horário das 18 horas às 21 horas. Atualmente, o País possui mais de 34 milhões de consumidores residenciais.
A proposta é do Comitê de Distribuição (CODI), da Associação Brasileira de Distribuidores de Energia Elétrica (Abradee), que considera o uso de limitadores de demanda uma alternativa mais barata e mais eficaz do que a cobrança de tarifas diferenciadas. A Tarifa Amarela, que começou a ser testada pela Copel desde o início do ano em 310 domicílios paranaenses, exige a colocação de medidores especiais de energia. O custo destes aparelhos, segundo o diretor-executivo do Codi, Wilson Pinto Ferreira, é muito alto e não garante que o consumo esteja sendo evitado.
A Tarifa Amarela estabelece a cobrança de valores diferenciados de acordo com o horário de utilização da energia. O desconto para o consumo feito fora do horário de pico pode chegar a 20% do valor cobrado nos outros períodos do dia. Nas indústrias, que já utilizam as tarifas diferenciadas - azul e verde -, o valor cobrado chega a ser 500% menor.
Além dos controladores de demanda, o diretor da Eletrobrás, Mário Santos, defende a adoção de equipamentos mais eficientes na distribuição e transmissão de energia, além da ampliação do aumento na capacidade de geração do sistema. Somente no Paraná, a Copel planeja investir nos próximos seis anos R$ 3,2 bilhões na melhoria dos seus serviços. Deste total, 40% serão destinados para aumento na capacidade de produção, 29% no sistema de transmissão e 24% na distribuição. Se o cronograma de investimentos for seguido também por outros Estados, o diretor da Eletrobrás acredita que as falhas do sistema e os constantes blecautes deverão ser solucionados dentro de um período máximo de dois anos.

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