Curitiba - O consumo de energia elétrica em outubro deste ano atingiu 61.585 MW médios no País, o que representou um crescimento de 2,1% em relação ao mesmo período do ano passado. Na comparação com setembro deste ano, o consumo cresceu 1,8%. A geração de energia no mês passado somou 63.742 MW médios, com alta de 2% nas duas comparações, em relação a outubro de 2013 e também com setembro deste ano. Os dados fazem parte do boletim InfoMercado divulgado todo mês pela Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE).
O levantamento considera tanto o consumo no mercado regulado (energia que as distribuidoras vendem direto para os seus consumidores) como o mercado livre, no qual grandes empresas, indústrias e shoppings, por exemplo, compram energia direto dos fornecedores.
No segmento industrial houve uma redução média de 5,11% no consumo, com destaque para o setor de bebidas, que registrou baixa de 17,26%, e o de veículos, com queda de 12,83%. Por outro lado, os segmentos de extração de minerais metálicos e transporte (metroferroviário e transporte de carga) elevaram o consumo em 12% e 4%, respectivamente. De acordo com informações da CCEE, o desempenho do setor industrial reflete o cenário de retração da produção industrial no País.
O economista da Federação das Indústrias do Paraná, Roberto Zurcher, disse que a queda de 5,11% no consumo industrial coincide com a redução na produção física da indústria que vem sendo apontada pela pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), especialmente em veículos. Já o aumento do consumo na área de minerais metálicos está ligado ao aumento da exportação de minério de ferro, segundo ele.
O diretor da Enercons Consultoria em Energia, Ivo Pugnaloni, explicou que a extração de minerais metálicos tem um grau de eletrificação muito grande por ter a perfuração feita com ar comprimido, gerado por energia. Além disso, utiliza energia em correias transportadoras e em processamento do minério.
Ainda na geração de energia, o principal destaque em termos relativos continuou sendo as usinas eólicas, que totalizaram 2.180 MW médios no mês passado. O montante representa uma expansão de 118,5% em relação a outubro do ano passado e de 14,9% na comparação com setembro deste ano. Em termos absolutos a geração das térmicas atingiu 18.270 MW médios em outubro, alta de 42,2% sobre outubro de 2013 e de 4% em relação a setembro.
Já a geração hidráulica alcançou 41.243 MW médios no mês passado, o que representou uma queda de 11,1% na comparação com outubro de 2013, porém com alta de 0,7% em relação ao mês anterior.
Pugnaloni disse que enquanto a geração térmica teve crescimento de 42%, há 640 projetos de pequenas centrais hidrelétricas esperando aprovação do governo federal. Segundo ele, no ano passado e em 2014 serão pagos R$ 100 bilhões para as termelétricas. ‘’Não há economia brasileira que aguente isso’’, alertou. E prevê que a conta de luz do consumidor residencial ficará muito mais cara no próximo ano. Neste ano, o reajuste da Copel foi de 25% e, para 2015, já há um residual de 15% a ser aplicado. De acordo com ele, uma das alternativas seria construir mais hidrelétricas, o que aumentaria o número de reservatórios e diminuiria o uso das termelétricas.

Imagem ilustrativa da imagem Consumo de energia tem alta de 2,1%
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