A alavancada da economia brasileira nos últimos anos é um dos principais fatores para que o consumo de energia no País batesse um recorde histório em duas décadas. Os dados são do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que lançou ontem durante a Rio+20, mais uma edição dos Indicadores de Desenvolvimento Sustentável (IDS 2012), que traçam um panorama nacional através de 62 indicadores em quatro esferas: institucional, social, ambiental e claro, econômica. Os números apontaram um consumo per capita de 52,9 gigajoules (GJ) por habitante em 2010, superando a melhor marca da série história - alcançada em 2008 - de 50 GJ por habitante. No Paraná, durante o período avaliado pelo IBGE, o crescimento do mercado de energia foi de 5,2%, segundo informações da Companhia Paranaense de Energia Elétrica (Copel).
De acordo com o estudo, a maior justificativa para a ascensão dos números está no fato da população ter um ''maior acesso aos bens de consumo essenciais e aos serviços de infraestrutura'', o que portanto, gerou aumento na demanda de energia progressivamente. Apesar do documento fazer ressalvas aos impactos da evolução frente à população e ao meio ambiente, o IBGE ressaltou que, ''sob a perspectiva econômica, tal avanço pode ser considerado positivo''. ''O incremento da atividade econômica foi fundamental, além do Programa de Universalização do Acesso à Energia'', explicou um dos pesquisadores da área econômica do IDS, José Antonio Sena do Nascimento.
O documento aponta ainda que a elevação do consumo de energia per capita acelerou a partir de 2007, quando o País voltou a investir em grandes hidrelétricas, ''concentradas principalmente na Amazônia''. Apesar disso, as fontes renováveis, como aponta o Instituto, sofreram quedas pontuais em sua participação, enquanto as não renováveis evoluíram.
De 2009 para 2010, a cana-de-acúçar sofreu decréscimo de 18,2% para 17,8%, a hidráulica de 15,2% para 14% e a lenha e carvão vegetal de 10,1% para 9,7%. Já entre as não renováveis, o gás natural saltou de 8,7% para 10,8%, o carvão mineral de 4,7% para 5,2% e o petróleo e derivados se mantiveram praticamente estáveis, de 37,9% para 37,6%. ''Tivemos uma queda no consumo de lenha e carvão significativos, enquanto o gás natural cresceu. Mesmo esta fonte não sendo renovável, ela é mais sustentável do que a primeira'', avaliou Sena.
No Paraná, o crescimento de 5,2% é justificado no período avaliado, principalmente, pela influência no consumo de energia no comércio e na indústria. O gerente do departamento de mercado da Copel, Jefferson Schiochet, comentou que desde o ano 2000 - quando muitas pessoas aderiram ao racionamento de energia elétrica - o consumo vem aumentando. ''Sucessivos acréscimos aconteceram, e o crescimento de unidades consumidoras na Copel acabou subindo 3,6% entre 2009 e 2010, um pouco acima da média histórica, de 2,7%'', comparou Schiochet.
Atualmente, o consumo médio dos consumidores comuns é de 170 kilowatts/hora. O gerente da Copel também ressaltou que na época o Programa de Universalização do Acesso à Energia, principalmente na área rural do Estado, foi muito importante para a evolução dos números.
Londrina
Em Londrina, a reforma numa subestação aberta da Copel localizada na região Norte é prova que a demanda por energia elétrica está maior na cidade, principalmente naquela região. A obra, que custou em torno de R$ 15 milhões deve ser concluída nos próximos dias, e vai aumentar a capacidade de 34,5 mil volts para 138 mil volts. O intuito é atender os novos empreendimentos da região, como o shopping e as lojas que estão sendo construídas atualmente.

Imagem ilustrativa da imagem Consumo de energia per capita bate recorde no País
mockup