Consumo de energia no País cai 1,8% em 2015
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quarta-feira, 06 de janeiro de 2016
Nelson Bortolin<br>Reportagem Local 
A carga de energia que circulou pelo Sistema Interligado Nacional (SIN) em 2015 foi 1,8% menor que a de 2014. A carga é representada pelo consumo e pelas perdas na distribuição. Os subsistemas Sul e o Sudeste/Centro-Oeste tiveram uma queda maior, de 3,2% cada. Já o Norte e o Nordeste apresentaram aumento, de 1,7% e 3,2%, respectivamente. O balanço foi divulgado ontem pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) e não é possível obter informações por Estado.
A assessoria da Copel Distribuidora diz que ainda não concluiu o balanço consolidado de 2015. As informações só deverão ser divulgadas no próximo mês. Mas, de janeiro a setembro, de acordo com a estatal, os clientes haviam consumido 0,6% mais que no mesmo período de 2014. A tendência do último trimestre, no entanto, "era de leve queda". Segundo a assessoria, a redução no consumo da Copel deve ser menor que a da média geral brasileira.
Economista da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), Roberto Zurcher conta que houve uma queda de 7% na produção e nas vendas industriais no ano passado no Paraná. "Grande parte da queda no consumo certamente está relacionada à situação da indústria", afirma.
A alta das tarifas, de acordo com ele, levou as empresas a investirem em tecnologia visando a economia de energia. "Muitas empresas procuraram alternativas, algumas passaram a gerar sua própria energia, e outras investiram em sistemas que geram economia", conta.
Além das expectativas
O diretor comercial da Prime Energy, comercializadora de energia no mercado livre, Mateus Tolentino, diz que a queda no consumo em 2015 foi além de "todas" as expectativas. "No início do ano, tínhamos medo de que pudesse faltar energia, devido à falta de chuvas e ao fato de os reservatórios estarem baixos", ressalta.
Ele explica que todos os anos o mercado faz estimativas de consumo para os próximos cinco anos. "A diferença entre o que estava previsto para 2016 no início de 2015 e o que está previsto agora é de cerca de cinco megawatts médios. Só para se ter uma ideia, isso é mais que toda a produção de uma Belo Monte", destaca.
A última vez que houve retração no consumo, de acordo com o diretor, foi em 2009, em plena crise financeira internacional. "Só que a recuperação foi muito rápida naquela época. Hoje, as expectativas não são boas", diferencia.
Da mesma forma que o representante da Fiep, Tolentino diz que há duas explicações para a queda no consumo. Uma está diretamente ligada à crise econômica e, mais especificamente, à queda na produção industrial. "A outra está relacionada ao estímulo à economia - tanto nas residências como nas empresas - que foram os altos reajustes de tarifa", declara.


