Consumo de energia mostra queda na atividade industrial
Consumo de energia
mostra queda na
atividade industrial
Crescimento na demanda ainda está abaixo dos níveis pré-crise asiática
Carmem Murara
Considerado termômetro para medir a atividade econômica do Estado, o consumo de energia vendida pela Copel mostra que a indústria paranaense ainda sofre as consequências da crise asiática, deflagrada no final de outubro do ano passado. O aumento médio no consumo foi de 4% em abril sobre o mesmo mês no ano passado, enquanto nos meses que antecederam a queda nas bolsas asiáticas a indústria apresentava crescimentos no consumo de energia entre 5,5% e 7%. A estimativa feita no início do ano pela Copel era vender até 6,5% mais energia para a indústria paranaense, mas os índices começam a ser revistos. No primeiro quadrimestre, o crescimento na utilização de luz elétrica foi de 2,9% sobre 1997.
O setor da indústria que mais deixou de consumir energia foi o têxtil, com uma redução de 12% no primeiro quadrimestre do ano, sobre o mesmo período no ano passado. O fechamento da fábrica de toalhas Artex, em São José dos Pinhais, contribuiu para a redução dos números. Além do segmento têxtil, a indústria mecânica suspendeu o gasto com energia em 10,6% e a de madeira em 3,5%. Em contrapartida, o setor de papel e papelão consumiu 11,9% a mais de energia em abril deste ano, sobre o mesmo mês no ano passado, e a indústria de material de transporte aumentou o consumo em 8,1%.
A previsão feita pelos técnicos da Copel é que as indústrias tendem a aumentar o consumo de energia até o final do ano, quando os efeitos do pacote econômico de novembro vão ser mais amenos. Entre as medidas econômicas que mais atingiram as indústrias, está o aumento da taxa de juros, que obrigou muitos segmentos a cancelar pedidos e rever níveis de produção.
O administrador da Coordenadoria de Estudos de Mercado, Antonio Spinello, diz que a industrialização crescente no Estado trará mais consumo. A tendência é termos um aumento gradativo na utilização da energia elétrica gerada pela Copel, pois temos muitas empresas se instalando aqui, afirmou Spinello.
O relatório mensal feito pela Coordenadoria de Estudos de Mercado da Copel aponta que a utilização da eletricidade pela indústria está diretamente relacionada ao seu nível de atividade. A crise ocorrida em nível global levou os mercados produtivos e financeiros a rápidos e profundos processos de ajustamento, aponta a análise da Copel.
Mesmo com a crise de consumo, setores como o de metalurgia (11,9%), cimento (9,1%), papel e papelão (7,5%) resistiram e apresentaram aumento no consumo, nos quatro primeiros meses do ano.





